Economia

Setor de serviços melhora desempenho em junho


Crescimento de 5%, em relação ao mês anterior, interrompe quatro meses de quedas consecutivas. Melhora relativa se explica pela flexibilização das medidas de isolamento social e pelos impactos positivos do auxílio emergencial, segundo os economistas da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 14 de Agosto de 2020 às 08:54

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços prestados apresentou crescimento de 5%, em relação ao mês anterior, interrompendo quatro meses de quedas consecutivas. No contraste com maio de 2019, houve queda de 12,1% (ver tabela abaixo), menor do que a esperada pelo mercado, e menos intensa que a observada na leitura anterior.

Esses melhores desempenhos relativos se explicam pela flexibilização das medidas de isolamento social e pelos impactos positivos do auxílio emergencial e da redução da jornada de trabalho sobre a renda e o emprego das famílias. Em 12 meses, contudo, o setor continuou intensificando sua contração, que alcançou a 3,3%, sinalizando tendência de lenta recuperação.

No confronto anual, quatro das cinco atividades consideradas na pesquisa do IBGE recuaram intensamente. Os maiores impactos negativos se originaram novamente dos serviços prestados às famílias (hotéis e restaurantes), transportes (principalmente aéreo), serviços profissionais, administrativos e complementares (serviços prestados a empresas) e serviços de comunicação (TV por assinatura, cinemas e eventos).

O único ramo que cresceu foi o denominado “outros serviços”, impulsionado pela negociação de títulos e valores, coleta de resíduos e reparação. O agregado do turismo continuou caindo fortemente devido à diminuição dos serviços de hotéis, transporte aéreo, locação de veículos e restaurantes.

Em síntese, em junho, as medidas de distanciamento social começaram a ser flexibilizadas, gerando um alívio para os serviços. A perspectiva para os próximos meses deve ser de recuo menos intenso, com novas etapas de liberalização. Mas, vale ressaltar que o setor está muito atrasado na retomada, em comparação ao comércio e à indústria, que começaram a se recuperar já em maio. Mais estímulos devem ser direcionados ao setor, notadamente para os pequenos negócios.