Economia

Resultados de junho mostram que varejo ensaia recuperação


Segundo os economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), uso do auxílio emergencial para o consumo ajuda a explicar aumento nas vendas


  Por Instituto Gastão Vidigal 14 de Agosto de 2020 às 16:54

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Em junho, os resultados do varejo apontam para um início de retomada, que deverá continuar, de forma gradual, ao longo dos próximos meses, minimizando a contração anual esperada para o comércio.

A recuperação da confiança do consumidor e a nova redução da taxa de juros básica (Selic) são fatores que podem atenuar ainda mais essa contração.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em junho, o varejo restrito (que não inclui veículos e material de construção) anotou leve alta de 0,5% sobre o mesmo mês de 2019, superando as expectativas, enquanto o varejo ampliado (que incorpora todos os segmentos) apresentou recuo de 0,9%.

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Em relação a maio, livre de efeitos sazonais, continuou a haver forte aumento dos volumes comercializados (8,0% e 12,6%, respectivamente).

Em 12 meses, seguiu havendo estabilidade no varejo restrito, e queda levemente mais intensa que a observada na leitura anterior, no caso do ampliado (-1,3%).

A melhora relativa dos resultados anuais decorre da existência de dois dias úteis adicionais, além da flexibilização das medidas de isolamento social, dos juros mais baixos e dos efeitos positivos do auxílio emergencial, que parece estar sendo direcionado em maior medida para o consumo.

Nessa mesma base de comparação se destacaram as vendas de itens considerados essenciais, no contexto do isolamento social e da instituição do home office: supermercados, móveis e eletrodomésticos, e bens de uso doméstico.

A queda mais intensa ocorreu no ramo de confecções, afetado negativamente pela quarentena e pelo fechamento das lojas físicas. No varejo ampliado, as vendas de veículos apresentaram queda menos intensa.

A surpresa positiva foi o aumento nas compras de itens de material de construção, usados em reformas e adaptação das moradias para o trabalho à distância.

 

IMAGEM: Thinkstock