Economia

Reonerar a folha de pagamentos é opção para governo


Outra alternativa para enfrentar os desafios fiscais do próximo ano seria adiar o reajuste dos servidores previsto para 2019, diz ministro Guardia em Washington


  Por Agência Brasil 21 de Abril de 2018 às 18:56

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse neste sábado (21/04), em Washington, que o governo pode adiar o reajuste salarial dos servidores públicos previsto para 2019.

De acordo com o ministro, “esta é uma alternativa” para os desafios fiscais da política econômica do ano que vem.

Entretanto, Guardia ressalvou que a decisão deve ficar para o momento em que o governo enviar a Lei Orçamentária Anual (LOA), em agosto. 

Outra alternativa seria a reoneração da folha de pagamentos, que, segundo ele, impacta receitas e despesas do governo. Na semana passada, o ministro já havia dito que a “não arrecadação” afeta o teto dos gastos públicos. 

O ministro está em Washington para as Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

Neste sábado, ele participou das sessões plenárias do Comitê Monetário e Financeiro Internacional e do Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial. 

REFORMA TRIBUTÁRIA

Conforme o ministro, o projeto para simplificação do PIS/Cofins, que faz parte da reforma tributária, já está maduro e deve ser enviado ao Congresso em breve. Na quinta-feira (19/04) ele havia dito que o projeto poderia ser enviado em maio.

Para Guardia, o objetivo do governo é eliminar distorções na tributação do PIS/Cofins e do ICMS , de modo “que esses impostos virem de fato um imposto sobre o valor adicionado”.

Ele destacou que a projeção do FMI de crescimento mundial de 3,9% para este ano confirma que este é um momento favorável para a economia mundial, com baixos cenários de risco no curto prazo.

“É preciso aproveitar a janela de oportunidade para avançar reformas estruturais e reduzir vulnerabilidades”, disse, citando entre as principais vulnerabilidades do Brasil e de outras economias o crescimento da dívida pública.

O ministro lembrou que, durante as reuniões, o Brasil foi mencionado como um dos casos importantes de retomada econômica, o que pode ser observado na revisão dos números para projeção do crescimento divulgada pelo fundo na terça-feira (17).

O relatório Panorama da Economia Mundial informou que estima que o país deve crescer 2,3% em 2018 e 2,5% em 2019.

Indagado sobre o fato de que as projeções do governo são maiores que as do Fundo – o ministério da Fazenda prevê crescimento de 3% –, Guardia afirmou que essa diferença se deve ao fato de que o governo já está levando em conta em seus cálculos os efeitos da política monetária atual de sucessivas reduções da taxa básica de juros.

FOTO: Fábio Rodrigues Pozzebom