Economia

Recessão é sentida em todas as regiões do Brasil


Boletim do Banco Central mostra que a indústria, o comércio e os serviços registraram quedas em todo o país até o mês de agosto. A autoridade monetária promete levar a inflação para a meta de 4,5% ao ano só em 2017


  Por Agência Brasil 05 de Novembro de 2015 às 18:01

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


A atividade econômica seguiu em trajetória declinante no país no início do segundo semestre, refletindo, sobretudo, os desempenhos negativos da indústria, das vendas do comércio e do setor de serviços, com impactos relevantes sobre o mercado de trabalho

Essa avaliação consta do Boletim Regional, publicação trimestral divulgada nesta quinta-feira (05/11) pelo Banco Central (BC), com indicadores econômicos por regiões do país.

Para o BC, as perspectivas de recuperação da atividade econômica dependem fundamentalmente da volta da confiança de consumidores e empresários nos próximos trimestres, que tende a ser favorecida pelos efeitos das medidas de ajuste na economia - no lado fiscal e no poder de compra.

Mas isso deve demorar. A inflação, que segue elevada, deve se aproximar do centro da meta de 4,5% apenas em 2017, segundo a projeção do BC. 

“Adicionalmente, a mudança de patamar da taxa de câmbio deverá seguir favorecendo as regiões onde há maior representatividade das exportações na economia, em especial Centro-Oeste e Sul, com desdobramentos positivos sobre os respectivos mercados de trabalho”, acrescentou o BC.

De acordo com o boletim, as economias regionais repercutiram com intensidades distintas os impactos do atual ciclo recessivo. 

No Norte, diz o BC, a atividade econômica na região foi condicionada, no trimestre encerrado em agosto, pelas quedas observadas na produção industrial, nas vendas do comércio e na construção civil. O Índice de Atividade Econômica Regional da Região Norte (IBCR-N) caiu 1,5%, em relação ao trimestre finalizado em maio, de acordo com dados dessazonalizados (ajustados para o período).

No Nordeste, houve retrações nas vendas do comércio e na produção industrial, que exerceram desdobramentos negativos sobre o mercado de trabalho – a economia nordestina eliminou 42,9 mil empregos formais no trimestre, ante criação de 48,9 mil vagas em igual período de 2014. Nesse cenário, o IBCR-NE recuou 0,9% em relação ao trimestre finalizado em maio.

No Sudeste, as retrações da produção industrial e das vendas do comércio foram evidenciadas na trajetória do IBCR-SE, que contraiu 0,8%.

No Sul, o IBCR-S recuou 2,8%. Nessa região, em ambiente de moderação no crédito e de deterioração do mercado de trabalho, destacou-se, no trimestre encerrado em agosto, o impacto dos desempenhos negativos do comércio e da indústria, reduzidos parcialmente pelas trajetórias da agricultura e da balança comercial.

A economia do Centro-Oeste seguiu em retração no trimestre encerrado em agosto, com resultados negativos da construção civil, das vendas do comércio, do setor de serviços e do mercado de trabalho. O IBCR-CO decresceu 0,6%. 

Apesar das retrações, as regiões Sul e Centro-Oeste serão as que devem registrar recuperação mais rápida por causa das exportações, que tendem a ser favorecidas pelo dólar alto. 

Para o Banco Central, a perspectiva é a de que a recuperação da economia tenda a ser favorecida pelos efeitos das "medidas de ajuste macroeconômico encaminhadas". 

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), que é um indicador antecedente ao PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país), recuou 1,4% no trimestre encerrado em agosto em relação ao terminado em maio, segundo dados dessazonalizados.

INFLAÇÃO NA META SÓ EM 2017

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Altamir Lopes, disse nesta quinta-feira (05/11) que a inflação só deve ficar na meta, em 4,5%, em 2017. 

“O Banco Central não jogou a toalha nunca. Desde março de 2013, esse ciclo de alta é um dos mais fortes da história”, disse Lopes. O Copom elevou a taxa básica de juros, a Selic, por sete vezes consecutivas. Nas duas últimas reuniões, no entanto, o Copom optou por manter a Selic em 14,25% ao ano.

“A posição do Banco Central é manutenção da taxa de juros por período suficientemente prolongado e, se necessário, adotará medidas para o cumprimento da meta”, disse o diretor.

Segundo do diretor, o BC vai trabalhar para levar a inflação o mais próximo possível da meta, em 2016 e chegar a 4,5%, em 2017. Anteriormente, o BC esperava chegar à meta de inflação no próximo ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros a Selic, a expectativa mudou para 2017. 

Na ata da última reunião do Copom, o BC diz que as indefinições e alterações significativas na meta fiscal mudam as expectativas para a inflação e criam uma percepção negativa sobre o ambiente econômico.

O diretor acrescentou que a redução da inflação em 2016, em relação a este ano, será intensa. De acordo com as expectativas de instituições financeiras, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve sair de 9,9%, este ano, para 6,3%, em 2016.

Para o diretor do BC, as perspectivas de longo prazo são de melhora para a atividade econômica, com inflação sob controle, ajuste fiscal em andamento, aumento das exportações e substituição de importações e perspectiva de melhora na economia global.

O diretor acrescentou que o dólar tem subido mais no Brasil do que em outros países da América Latina devido à influência de fatores não econômicos. Para Lopes, setores exportadores da economia devem se “beneficiar de forma significativa” da alta do dólar.

FOTO: Thinkstock

*Com informações de Estadão Conteúdo