Economia

Queda do PIB no 1º trimestre reflete primeiros efeitos da pandemia


Apesar de o resultado ter vindo melhor do que esperava o mercado, sugere queda recorde em termos anuais devido aos impactos sobre renda e emprego, avaliam os economistas da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 02 de Junho de 2020 às 09:12

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Os primeiros efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a atividade econômica brasileira vieram na direção esperada. De acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,5% durante o primeiro trimestre do ano, em relação aos últimos três meses do ano passado, livre de efeitos sazonais.

O resultado veio um pouco melhor do que esperava o mercado. Porém, reflete a intensidade dos efeitos negativos da pandemia do coronavírus e do isolamento social sobre a atividade econômica, que passou a ser aplicado a partir da segunda quinzena de março.

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Também sugere queda recorde, tanto no segundo trimestre como em termos anuais, com intensidade  dependente do ritmo de flexibilização do isolamento social e dos impactos associados sobre renda e emprego das famílias. A análise é dos economistas do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Em relação ao mesmo trimestre de 2019, a contração foi menor, alcançando 0,3%, e interrompendo a lenta
retomada do PIB. Na mesma base de comparação, porém, o consumo das famílias, principal componente da atividade econômica pelo lado do gasto, recuou 0,7%, explicada fundamentalmente pelos impactos negativos do isolamento social e das consequentes reduções da renda, do emprego e da confiança do consumidor.

Os investimentos produtivos (formação bruta de capital fixo) foram os únicos itens da despesa a apresentar crescimento (4,3%), na mesma base de comparação, causado pontualmente pelas importações líquidas de máquinas e equipamentos dirigidas ao setor de petróleo e gás. 

Por sua vez, o consumo do governo, que corresponde ao custeio da máquina pública, não mostrou variação, em linha com a difícil situação fiscal enfrentada pelas três esferas governamentais. 

Já as exportações exibiram contração, que chegou a 2,2%, em decorrência da paralisação da produção da China, da guerra comercial Estados Unidos-China e da crise argentina. A contribuição do setor externo foi ainda mais negativa, com elevação de 5,1% das importações, concentradas na aquisição de máquinas e equipamentos. 

Pelo lado da oferta, houve leve queda da atividade industrial de 0,1%, tanto pela escassez de componentes importados da China, como pela paralização das atividades, em função do distanciamento social. Os destaques negativos vieram dos setores eletricidade e gás, água, construção civil, veículos e vestuário.

O setor serviços, principal segmento produtivo da economia, igualmente sofreu recuo de 0,5%, destacando-se a retração dos serviços prestados às famílias (bares e restaurantes, salões de beleza, academias de ginástica, entre outros) e dos transportes.

A produção agropecuária foi a única a mostrar expansão, que alcançou a 1,9%, devido aos aumentos de produtividade e aos recordes de safra, principalmente no caso da soja. Essa expansão, contudo, foi insuficiente para compensar as quedas dos outros setores, dada sua reduzida participação no PIB, pelo lado da oferta.

FOTO: Gerd Altmann/Pixabay