Economia

Projeções internacionais apontam que Brasil cresce menos em 2017


Instituto Internacional de Finanças (IIF) revisou o PIB do país para baixo. Para a Cepal, Brasil cresce 0,4% enquanto América Latina avança 1,3%


  Por Estadão Conteúdo 14 de Dezembro de 2016 às 20:38

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Projeções de diferentes instituições internacionais mostram que o Brasil deve crescer menos em 2017.

De um lado, o Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo, com sede em Washington, ortou a projeção para o crescimento do Brasil em 2017, de expansão esperada em setembro de 1,5% para 1%.

A avaliação é que o otimismo sobre a capacidade do governo brasileiro, encabeçado pelo presidente Michel Temer, de lançar políticas para estimular a economia se reduziu e a frágil situação política no Brasil pode afetar a recuperação da atividade em 2017.

Mesmo com o corte, a previsão está acima da média do mercado financeiro brasileiro, que vê o Produto Interno Bruto (PIB) avançando 0,7% no ano que vem, de acordo com o Relatório de Mercado Focus, do Banco Central, da última segunda-feira (12/12).

O cenário para o Brasil vai depender do cenário político interno e das políticas dos Estados Unidos adotadas por Donald Trump, ressalta o relatório do IIF. 

"Reduzimos nossas projeções de crescimento para o Brasil e a Argentina, pois estamos menos otimistas que seus governos serão capazes de impulsionar as políticas necessárias para apoiar as recuperações após as contrações do PIB este ano", afirma o IIF.

O IIF espera que o real continue se desvalorizando em 2017, com o dólar chegando a valer R$ 3,60 em dezembro. 

Já a Selic pode ter queda mais rápida, recuando para 12% no primeiro trimestre de 2017 e caindo para 10% na parte final do ano que vem. A inflação em 2017 pode cair abaixo de 5% e se aproximar do centro da meta do Banco Central, ficando em 4,7%, ressalta o relatório.

Já outro organismo, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), projeta para 2017 uma "mudança de ciclo" para as economias da região, com um crescimento de 1,3% ante uma retração de 1,1% em 2016. Para a América do Sul, é esperado um crescimento de 0,9%, depois de um encolhimento de 2,4% este ano.

Nas estimativas da Cepal, a economia brasileira crescerá apenas 0,4% no ano que vem, ante uma retração de 3,6% este ano. Também a Argentina passará do campo negativo para o positivo, de -2% para 2,3%.

O organismo estima uma expansão de 2,7% para a economia mundial em 2017, ante 2,2% este ano, puxada novamente pelas economias emergentes. A Índia deverá avançar 7,7% e a China, 6,5%.

Por causa do ambiente mais benéfico na economia mundial, a expectativa é que o comércio mundial se recupere e apresente uma expansão entre 1,8% e 3,1%, depois de uma expansão modesta de 1,7% em 2016 - inferior à taxa de crescimento dos PIBs dos países, um fenômeno que não se via há 15 anos, com exceção de 2009.

A expectativa é que haja recuperação de preços de produtos básicos e de petróleo, o que beneficia economias da região.

RISCOS

A ligeira recuperação da economia prevista para 2017 poderá ser afetada por alguns fatores. O relatório da Cepal diz que a expansão esperada no comércio internacional pode ser afetada por políticas protecionistas.

Um exemplo dessa tendência é o resultado do referendo que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia. As economias da região poderão ser afetadas também pelas novas políticas comerciais norte-americanas.

A normalização das taxas de juros, com movimentos de alta nos Estados Unidos, pode levar a "aumentos de incerteza e volatilidade financeira, dada a dinâmica de preços dos ativos financeiros", diz o relatório.

Esse fenômeno pode afetar o fluxo de capitais para países emergentes e também prejudicar aquelas economias em que houve expansão do crédito.

Para melhorar o perfil das contas públicas, a Cepal recomenda medidas para reduzir a evasão e elisão tributárias, "que alcançam magnitude muito significativa na região".

O organismo estima que esses mecanismos provoquem perda de 2,4 pontos porcentuais do PIB no caso dos impostos sobre o valor agregado e 4,3 pontos no caso dos impostos sobre a renda, o que representou US$ 340 bilhões na região no ano de 2015.

FOTO: Thinkstock