Economia

Produção de veículos cresce 4,7% em julho


Mas no acumulado do ano o resultado ainda mostra queda de mais de 20%. O presidente da Anfavea, Antônio Megale, cobra medidas que estimulem a recuperação da indústria de autopeças


  Por Agência Brasil 04 de Agosto de 2016 às 14:01

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


A produção de veículos automotores aumentou 4,7% em julho, na comparação com junho, com um volume fabricado que saltou de 181,1 mil unidades para 189,9 mil. As informações são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Na comparação com julho de 2015, a produção caiu 15,3%. No acumulado do ano, quando foram fabricados 1.205.041 de veículos, houve queda de 20,4%, porque nesse mesmo período do ano passado a produção chegou a 1.514.001.

“Houve alguns problemas pontuais em empresas que tiveram quebra de produção, mas, mesmo assim, houve esse aumento que reflete a elevação de vendas. Esse número poderia ter sido melhor se algumas empresas tivessem produção mais uniforme”, disse o presidente da Anfavea, Antônio Megale.

O licenciamento em julho chegou a 181.400 unidades, o que representou uma elevação de 5,6% ante os 171.800 vendidos em junho. Na comparação com julho do ano passado - quando foram vendidos 227.600 veículos -, o licenciamento caiu 20,3%. 

No acumulado do ano foram comercializados 1.164.094 veículos, 24,7% a menos do que no mesmo período de 2015, quando foram vendidos 1.546.057.

EXPORTAÇÕES

Embora esse tenha sido o melhor mês do ano para as exportações, Megale disse que ainda não é possível considerar o resultado como um início de recuperação.

As exportações cresceram 5% em julho de 2016 na comparação com junho de 2915. Foram vendidas ao mercado externo 45.552 unidades contra 43.392 de junho do ano passado.

Segundo Megale, a Anfavea continua vendo as exportações como alternativa importante para a utilização da capacidade instalada das fábricas, considerada ociosa. “O resultado é bom, mas há espaço para crescimento devido aos acordos comerciais que foram acertados entre Colômbia e Peru. Esses acordos ainda não foram internacionalizados, mas temos potencial para exportar mais para eles”, disse.

Ele destacou, ainda, o acordo com a Argentina que dá mais previsibilidade para o setor. “Vamos continuar exportando para eles que têm se apresentado como mercado crescente e o Brasil é uma participação importante nesse mercado.”.

Os dados mostram ainda que houve um a queda de 0,9% no emprego do setor, com 1.200 vagas a menos do que no mês anterior. Há 26 mil pessoas em lay-off (suspensão temporária do trabalho) e dentro do PPE (Programa de Proteção ao Emprego).

A Anfavea manteve as previsões para o final de 2016, que indicam queda de 19% nas vendas, redução de 16,4% na produção e exportações com elevação de 21,5%.

POLÍTICA INDUSTRIAL

O presidente da Anfavea afirmou que tem participado de rodadas de negociação com o governo para elaborar um novo plano para desenvolver a indústria brasileira, que provavelmente teria início em 2018. 

Segundo ele, não se trata de uma nova edição do Inovar Auto (programa que concede incentivos fiscais às montadoras que fazem investimentos produtivos no País), mas de uma "nova política industrial de longo prazo".

"É complicado trabalhar com programas que se encerram e nós ficamos sem saber como vai ser", lamentou Megale, em referência ao Inovar Auto. "E o governo compactua com a nossa visão de que estamos falando de uma nova política industrial", afirmou o presidente da associação. 

Megale destacou que esta nova política industrial tem de prever medidas que estimulem o avanço da eficiência energética e que contribuam para a recuperação da indústria de autopeças. 

Por contar com empresas de menor porte, as fabricantes de autopeças são mais sensíveis à crise. Este ano, a Fiat e a Volkswagen chegaram a interromper as suas produções algumas vezes por falta de peças, que não haviam sido entregues pelos fornecedores.

Megale elogiou a equipe econômica do governo interino de Michel Temer, liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Para o empresário, a equipe é "bastante coerente" e as medidas apresentadas até o momento são "adequadas".

*com Estadão Conteúdo

IMAGEM: Agência Brasil






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