Economia

População empregada cai à mínima histórica


Pandemia afetou principalmente os informais. Dos 7,7 milhões de postos de trabalho perdidos no trimestre encerrado em maio, 5,7 milhões envolviam trabalhadores informais


  Por Redação DC 30 de Junho de 2020 às 13:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,9% no trimestre encerrado em maio, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta terça-feira, 30/06, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A perda de 7,774 milhões de postos de trabalho em apenas um trimestre foi recorde e fez a população ocupada descer à mínima histórica, 85,936 milhões de pessoas, enquanto outras 12,710 milhões buscam um emprego.

COMÉRCIO

O comércio foi o setor que liderou a extinção de vagas no trimestre encerrado em maio, com 1,983 milhão de demissões em relação ao trimestre terminado em fevereiro.

As dispensas foram recordes em oito das dez atividades econômicas pesquisadas, segundo os dados da Pnad Contínua. Houve demissões também nas atividades de outros serviços (-675 mil ocupados), indústria (-1,230 milhão), alojamento e alimentação (-1,240 milhão), transporte (-420 mil), agricultura, pecuária, produção florestal pesca e aquicultura (-377 mil), construção (-1,083 milhão), serviços domésticos (-1,170 milhão) e informação, comunicação e atividades financeiras (-343 mil, única atividade que não registrou demissão histórica em maio).

O único segmento com contratações no período foi o setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com 748 mil vagas a mais.

Segundo Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, o resultado foi puxado pelas contratações sazonais de profissionais de educação básica pelas Prefeituras de todo o País.

INFORMALIDADE

A pandemia do novo coronavírus provocou uma perda generalizada de postos de trabalho no trimestre encerrado em maio, mas os mais impactados foram os trabalhadores informais, segundo Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O País alcançou uma taxa de informalidade de 37,6% no mercado de trabalho no trimestre até maio, com 32,3 milhões de trabalhadores atuando na informalidade. O resultado significa 5,784 milhões de trabalhadores informais a menos em apenas um trimestre.

"Dessa queda de 7,7 milhões de pessoas ocupadas, 5,7 milhões foram de trabalhadores informais. Salta aos olhos a queda do emprego sem carteira, o trabalhador doméstico sem carteira, o empregador sem CNPJ", avaliou Adriana Beringuy.

 

*com informações do Estadão Conteúdo

IMAGEM: Wilson Dias/Agência Brasil