Economia

PIB surpreende no 3º trimestre e sinaliza retomada mais intensa


O consumo das famílias, beneficiado pelo aumento do crédito, das menores taxas de juros e da liberação do FGTS ajudaram a puxar o resultado, segundo os economistas da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 03 de Dezembro de 2019 às 20:54

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


O resultado do 3º trimestre parece sinalizar que a atividade econômica está aumentando seu ritmo de recuperação. A análise, dos economistas do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), se baseia nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,6% no período em comparação ao 2º, livre de efeitos sazonais e acima das expectativas de mercado.

Em relação a igual período do ano passado, foi registrada uma expansão de 1,2%, enquanto durante o ano e no acumulado dos últimos quatro trimestres a alta foi de 1,0%. 

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Na comparação com o 3º trimestre de 2018, pelo lado da demanda, o consumo das famílias, que representa 65% do PIB, cresceu 1,9%, acima do registrado na leitura anterior, beneficiado pela aceleração do crédito, pelas menores taxas de juros,
pela maior renda derivada da liberação do FGTS e pela recuperação do emprego, apesar do aumento da informalidade.

No caso dos investimentos produtivos (formação bruta de capital fixo) houve elevação de 2,9%, inferior à leitura anterior, e explicada majoritariamente pela expansão da construção civil, refletindo a retomada do setor imobiliário.

Por sua vez, o consumo do governo, que corresponde ao custeio da máquina pública, mostrou queda de 1,4 %, o dobro da observada no segundo trimestre, refletindo a magnitude da crise fiscal enfrentada pelas três esferas governamentais.

As exportações apresentaram forte queda (5,5%), devido aos efeitos negativos da guerra comercial Estados Unidos-China e à crise argentina. Assim, a contribuição do setor externo à despesa total do País passou a ser ainda mais negativa ainda, em relação aos resultados do período abril-junho, pois, durante o terceiro trimestre, se registrou crescimento das importações (2,2%).

Pelo lado da oferta, na mesma base de comparação, houve aumento da atividade industrial acima do esperado (1,0%), explicada pelas recuperações do setor elétrico e da atividade extrativa, afetada positivamente pelos aumentos da produção de minério de ferro e petróleo, além da construção civil.

A produção agropecuária acelerou de forma importante seu crescimento (2,1%), devido ao notável desempenho da safra de grãos, que poderá marcar novo recorde anual, refletindo os ganhos de produtividade do setor.

Por sua vez, o setor serviços, principal segmento produtivo da economia, apresentou taxa de expansão levemente inferior à observada no segundo trimestre (1,0%), com destaque para o comércio, que também se beneficiou das melhores condições de crédito e dos aumentos do emprego e da renda.

Com isso, aumentaria a chance de o PIB crescer levemente acima de 1% em 2019, porém abaixo de 2018, cuja taxa de
expansão acaba de ser revista pelo IBGE (1,3%).

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