Economia

PIB recua 0,6% no segundo trimestre, apura IBGE


Com o resultado, o Produto Interno Bruto acumula queda 4,6% no ano; comércio caiu 0,8% no segundo trimestre em comparação com o primeiro


  Por Estadão Conteúdo 31 de Agosto de 2016 às 09:30

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 0,6% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB no segundo trimestre de 2016 alcançou R$ 1,5 trilhão.

Na comparação com igual período de 2015, o PIB recuou 3,8% no segundo trimestre deste ano. O resultado ficou dentro das estimativas de 58 casas, que previam queda de 2,90% a 4,52%, com mediana negativa de 3,60%.

Com o dado divulgado hoje, o PIB recuou 4,6% no ano em relação a igual período de 2015, e acumula queda de 4,9% em 12 meses até o segundo trimestre de 2016.

Ainda segundo o instituto, o PIB do segundo trimestre do ano totalizou R$ 1,53 trilhão.

A queda do PIB  pode ser explicada pelo consumo das famílias, que continua em queda (-0,7%); pelo consumo da administração pública, que variou -0,5% na comparação trimestral, após crescer 1,0% no primeiro trimestre; pela desaceleração nas exportações - que cresceram 0,4% no segundo trimestre após registrar 4,3% de alta no trimestre anterior - e alta nas importações, que cresceram 4,5%.

"O importante é que quem tem mais peso, que é o consumo das famílias, continua puxando pra baixo, a administração pública que também tem peso considerável trocou: crescia 1% e agora caiu 0,5%, e a importação com a exportação foi o que contribuiu mais negativamente nessa queda do PIB", explicou Rebeca de La Rocque Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

SETORES

O PIB da indústria subiu 0,3% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano.

Na comparação com o segundo trimestre de 2015, o PIB da indústria mostrou queda de 3%.

Já a atividade de comércio caiu 0,8% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano.

Na comparação com o segundo trimestre de 2015, o PIB de serviços registrou queda de 3,3%, com destaque para a contração de 7,4% do comércio (atacadista e varejista).

O PIB da agropecuária caiu 2% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano.

Na comparação com o segundo trimestre de 2015, o PIB da agropecuária mostrou recuo de 3,1%.

CONSUMO DAS FAMÍLIAS

O consumo das famílias caiu 0,7% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2015, o consumo das famílias mostrou queda de 5,0%.

CONSUMO DO GOVERNO

O consumo do governo, por sua vez, recuou 0,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. Já na comparação com o segundo trimestre de 2015, o consumo do governo mostrou queda de 2,2%.

CAPITAL FIXO

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) subiu 0,4% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano.

Na comparação com o segundo trimestre de 2015, a FBCF teve queda de 8,8%. Ainda segundo o instituto, a taxa de investimento (FBCF/PIB) ficou em 16,8% no segundo trimestre de 2016.

A FBCF é a operação das Contas Nacionais que registra a ampliação da capacidade produtiva futura de uma economia por meio de investimentos correntes em ativos fixos, ou seja, bens produzidos factíveis de utilização repetida e contínua em outros processos produtivos por tempo superior a um ano sem, no entanto, serem efetivamente consumidos pelos mesmos.

EXPORTAÇÕES

O comércio exterior teve contribuição negativa para o PIB no segundo trimestre ante o trimestre imediatamente anterior, com as exportações (0,4%) crescendo menos que as importações de bens e serviços (4,5%), com influência do câmbio.

"Dessa vez o comércio exterior teve contribuição negativa. A gente teve uma apreciação cambial no segundo trimestre e a exportação fica menos competitiva", explicou a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Claudia Dionisio.

As exportações contabilizadas no PIB cresceram 0,4% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2015, as exportações mostraram alta de 4,3%.

As importações contabilizadas no PIB, por sua vez, avançaram 4,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. Já na comparação com o segundo trimestre de 2015, as importações caíram 10,6%.

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial.

No PIB são contabilizados bens e serviços, e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens, e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.