Economia

PIB paulista deve ultrapassar brasileiro em 2019


Em termos de regiões metropolitanas, os maiores resultados seriam de Sorocaba, Vale do Paraíba (na foto, hangar da Embraer) e Litoral Norte (3,4%), além de Campinas (2,9%), de acordo com o Seade


  Por Ulisses Ruiz de Gamboa 08 de Dezembro de 2018 às 16:57

  | Economista da ACSP e professor da FIA/USP e FIPE/USP; Doutor em Economia pela FEA/USP; Pós-Doutorando pela UCLA; ex-Consultor do Banco Mundial


A Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) acaba de publicar projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) – que reflete todos os bens e serviços produzidos e consumidos num determinado período – do Estado de São Paulo para 2018 e 2019.

Segundo a instituição, a economia paulista deverá se expandir em 2,5% durante o presente ano, bem acima da projeção de aumento do PIB brasileiro, segundo os analistas de mercado ouvidos pelo Relatório Focus, do Banco Central (1,3%).

Em termos de regiões metropolitanas, os maiores resultados seriam de Sorocaba (6,2%), Vale do Paraíba e Litoral Norte (3,4%) e Campinas (2,9%), enquanto as de São Paulo e da Baixada Santista se expandiriam abaixo da média estadual (1,9% e 1,8%, respectivamente).

O “motor” dessa expansão, de acordo com a mesma fonte, deverá ser a atividade industrial, que deverá apresentar alta de 3,2%, com destaque para a indústria de transformação, que aumentaria seu volume produzido em 4,5%. No caso da agropecuária e dos serviços os avanços seriam de 2,3% e 2,0%, respectivamente.

Outro fator que explicaria esses resultados seria a fraca base de comparação com os anos anteriores, pois a economia paulista foi uma das mais severamente afetadas pela última recessão, que se estendeu do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016.

Para 2019, contudo, segundo a SEADE, esse crescimento superior à média do País que ocorreria em 2018 seria, em certo modo, “devolvido” em 2019, fazendo com que a atividade econômica do Estado de São Paulo apresente expansão para este ano de apenas 1,5%, bastante abaixo das projeções de mercado para o Brasil (2,5%).

Essa desaceleração seria causada tanto pela menor expansão da atividade industrial, como pelo arrefecimento no crescimento do consumo das famílias, impulsionado em 2018 pela liberação dos recursos do FGTS e pela redução das taxas de juros.

O resultado do ano que vem, todavia, também dependerá da evolução das expectativas de consumidores e empresários, que deverão influenciar a disposição a comprar e produzir ao longo dos próximos meses.

Em particular, de acordo com o Índice de Confiança de São Paulo (ICP), elaborado pela IPSOS Public Affairs para a Associação Comercial de São Paulo, a confiança do consumidor paulista apresentou importante aumento em outubro, refletindo a diminuição da incerteza política, após o primeiro turno das eleições, e a retomada das contratações no setor industrial.

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FOTO: Fotos Públicas/Agência Força Aérea/Sgto Batista