Economia

PIB cai 1,9% no trimestre. Brasil está agora tecnicamente em recessão


Dados do IBGE divulgados nesta sexta (28/08) são os piores desde o primeiro trimestre de 2009, quantificando o pessimismo persistente das entidades empresariais


  Por Estadão Conteúdo 28 de Agosto de 2015 às 10:55

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 1,9% no segundo trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, informou nesta sexta-feira (28/08) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

É o segundo resultado trimestral negativo. Entre janeiro e abril de 2015 a queda foi de 0,7% (resultado revisado). Dois trimestres seguidos de crescimento negativo demonstram, segundo critérios dos economistas, que o país está agora, oficialmente, em recessão técnica.

Há, porém, especialistas que acreditam que desde meados do ano passado o país já havia mergulhado em processo recessivo. Entre eles, um grupo de economistas coordenado por Affonso Celso Pastore.

São os piores resultados desde o primeiro trimestre de 2009, quando a economia mundial estava sob os efeitos da crise financeira internacional, desencadeada nos Estados Unidos.

Agora a economia mundial está em crescimento, inexistindo, portanto, a prevalência de fatores externos, conforme a presidente Dilma Rousseff reiteradamente afirma.

Na comparação com o segundo trimestre de 2014, o PIB recuou 2,6% no segundo trimestre deste ano. Levando-se também em conta que o recuo é de 2,1% no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período de 2014, o PIB acumula uma queda de 1,2% nos últimos 12 meses

Segundo o IBGE, o segundo trimestre deste ano totalizou R$ 1,428 trilhão.

ACSP

“A queda do PIB, que já havia sido antecipada pelas previsões do Banco Central, confirma que o país está em recessão. A economia está passando por desajuste, fruto do descontrole das finanças públicas, e espera-se que o governo não caia na tentação de recriar impostos velhos ou inventar novos tributos e faça o ajuste pelo lado do controle de gastos”, afirmou Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).

Burti reforça que o setor produtivo não aguenta mais encargos, o que apenas aprofundaria a recessão. “A roda da economia está girando para trás e deixando o país de ponta cabeça. O consumidor não tem a opção de aumentar sua renda, como o governo faz ao criar impostos."

INDÚSTRIA

A queda do PIB da indústria do segundo trimestre de 2015 em comparação ao igual período de 2014 foi de 5,2%. É um resultado maior desde o terceiro trimestre de 2009, quando o recuo foi de 5,8% nessa mesma base de comparação.

O destaque negativo ficou para a construção civil. Na comparação com igual trimestre do ano anterior, a queda do PIB neste setor foi de 8,2%, e é a maior desde o quarto trimestre de 2003, quando o recuo foi de 9,8%.

A indústria da transformação também teve o pior desempenho desde 2009: o PIB dessa atividade recuou 8,3% no segundo trimestre de 2015 ante igual período de 2014, a maior variação negativa desde o terceiro trimestre de 2009, quando a queda nessa base de comparação foi de 10,6%.

As importações também tiveram o pior desempenho desde o segundo trimestre de 2009. O recuo no segundo trimestre de 2015 ante igual período de 2014, de 11,7%, só é superado pelos 12,6% de abril a junho daquele ano.

A retração da atividade econômica interna foi o que fez as importações caírem no segundo trimestre de 2015, afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. No período, as compras do exterior recuaram 8,8% em relação ao primeiro trimestre deste ano e caíram 11,7% ante o período de abril a junho de 2014.

"Com a queda nas importações e a alta nas exportações, isso gerou contribuição positiva do setor externo (ao PIB)", diz a economista.

As exportações cresceram 3,4% no segundo trimestre de 2015 em relação ao primeiro trimestre deste ano. Já em relação ao período de abril a junho de 2014, o avanço foi de 7,5%.

SERVIÇOS

Queda do PIB de serviços do 2º trimestre com relação ao trimestre anterior, em 1,4%, é a maior desde 1996. Os serviços foram em grande parte responsáveis pelo dinamismo da economia nos últimos anos.

Com isso, a variação negativa bateu o recorde do primeiro trimestre de 2015, quando a queda na mesma base de comparação foi de 1,2%.

Já o recuo do consumo das famílias, com queda de 2,1% no segundo trimestre de 2015, é o maior desde o quarto trimestre de 1997, quando foi de 2,8%, considerando-se a mesma base de comparação

FBCF

A queda da formação bruta de capital fixo (FBCF) no segundo trimestre de 2015 ante igual período de 2014, de 11,9%, é a maior desde o primeiro trimestre de 1996, quando o recuo foi de 12,7%, na mesma base de comparação, afirma o IBGE.