Economia

Petrobras reduz em 10% valor do diesel nas refinarias


A medida daria fôlego ao governo para negociar uma saída para o problema da paralisação dos caminhoneiros. A estatal afirma que a iniciativa não representa mudança da sua política de preços


  Por Redação DC 23 de Maio de 2018 às 20:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O presidente Michel Temer pediu "trégua de uns dois ou três dias no máximo" aos caminhoneiros que estão paralisando serviços, como entrega de combustível e abastecimento de supermercados em todo o País, por conta de uma greve pela redução dos preços do óleo diesel.

"Desde domingo estamos trabalhando neste tema para dar tranquilidade não só ao brasileiro que não quer ver paralisado o abastecimento, mas também tentado encontrar uma solução que facilite a vida especialmente dos caminhoneiros", declarou Temer. 

Um impasse em relação à paralisação foi criado após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ter cobrado de Temer a assinatura imediata, ainda nesta quarta-feira, 23/05, de um decreto revogando a Cide para o diesel, quando o acordado com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, foi que, assim que o Congresso votasse a reoneração da folha de pagamentos de empresas, o presidente assinaria o decreto para que um gasto fosse compensado com o outro.

O movimento de paralisação dos caminhoneiros deu ao governo até a sexta-feira, 25/05, para que seja apresentada uma proposta de redução do preço do combustível. Até lá, caminhões continuarão parados. Se nenhuma proposta considerada adequada for apresentada, o movimento será ampliado e motoristas prometem paralisação total a partir de sábado.

DESABASTECIMENTO

Enquanto segue o impasse, varejistas de diferentes segmentos comunicam desabastecimento. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirmou em nota que identificou dificuldades de abastecimento em diferentes Estados brasileiros. A entidade considerou que os problemas poderão se estender para todo o Brasil "se algo não for feito".

"Mesmo com o esforço do setor de supermercados para garantir o perfeito abastecimento da população brasileira, identificamos que alguns Estados já começaram a sofrer com o desabastecimento de alimentos, e que isso poderá se estender para todo o Brasil nos próximos dias, se algo não for feito", diz a entidade.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também informou que "muitas fábricas" interromperam suas linhas de produção em razão da greve de caminhoneiros.

Em nota enviada à imprensa, a associação afirma que a suspensão da produção pode se estender a todas as montadoras instaladas no Brasil se a paralisação continuar até o fim de semana. "Com isso, teremos uma queda na produção, nas vendas e nas exportações de veículos, tendo como consequência impacto na balança comercial brasileira e na arrecadação de tributos", afirma o presidente da Anfavea, Antonio Megale. 

MENOS ÔNIBUS EM SÃO PAULO 

A Prefeitura de São Paulo afirmou que, por causa da greve dos caminhoneiros, aproximadamente 40% da frota de ônibus da capital paulista não deve circular nesta quinta-feira, 24/05. A Prefeitura afirmou no comunicado que a greve afeta o abastecimento de combustível para o sistema municipal de transporte.

PETROBRAS REDUZ VALOR DO DIESEL

No meio da noite desta quarta-feira, a Petrobras divulgou que sua diretoria executiva decidiu reduzir em 10%, equivalente a R$ 0,2335 por litro, o valor médio do diesel comercializado em suas refinarias.

Com isso, o preço médio de venda da Petrobras nas refinarias e terminais sem tributos será de R$ 2,1016 por litro a partir desta quinta-feira. Este preço será mantido inalterado por período de 15 dias. Após este prazo, a companhia retomará gradualmente sua política de preços aprovada e divulgada em 30 de junho de 2017.

Esta decisão será aplicada apenas ao diesel e tem como objetivo permitir que o governo e representantes dos caminhoneiros tenham tempo para negociar um acordo definitivo para o contexto atual de greve e, ao mesmo tempo, evitar impactos negativos para a população e para as operações da empresa.

A medida é de caráter excepcional e não representa mudança na política de preços da Petrobras. Com esta decisão, a companhia acredita que seja possível ao governo e aos representantes dos caminhoneiros encontrar uma solução que tenha impacto definitivo nos preços do diesel comercializados no Brasil.

"Na visão da Petrobras, esta negociação passa necessariamente pela discussão de reduções da carga tributária federal e estadual incidente sobre este produto, uma vez que representam a maior parcela na formação dos preços do combustível", afirmou a empresa em fato relevante distribuído há pouco.

*com Agências

IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil