Economia

Pedidos de falência sobem 14,2% neste ano, informa Boa Vista


Na cidade de São Paulo, foram registrados 53 pedidos de falência em agosto, o dobro de igual período de 2014. Para Emílio Alfieri, economista da ACSP, situação pode piorar


  Por Fátima Fernandes 02 de Setembro de 2015 às 12:23

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


Os pedidos de falência aumentaram 14,2% de janeiro a agosto deste ano no país em relação a igual período do ano passado, segundo levantamento da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Considerando só o mês de agosto, a alta foi de 0,5% sobre junho e de 18,2% sobre agosto de 2014.

Os pedidos de recuperação judicial também subiram. De janeiro a agosto, a alta foi de 39,9% em relação a igual período do ano passado. Em agosto sobre igual mês do ano passado, de 126,9% e, em agosto sobre julho, de 6,3%.

A combinação entre queda de consumo e aumento de juros e de custos tem dificultado a geração de caixa das empresas. “Há uma queda geral de confiança na economia, os estoques das empresas estão subindo e o crédito está restrito. O aumento de pedidos de falência é reflexo de tudo isso”, diz Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Com a perspectiva de aprofundamento da crise, é bem provável, na avaliação de Alfieri, que esses números subam ao longo deste ano. “Não há sinais de que a crise vai acabar assim tão rapidamente.”

Em julho, somente na cidade de São Paulo, foram registrados 53 pedidos de falência, pouco mais do que o dobro do registrado em igual período do ano passado (26).

A boa notícia, na sua avaliação, é que esse número já foi muito maior na cidade: chegou a 114 pedidos de falência em março de 2006. Em agosto deste ano, também diminuiu um pouco (35).

A situação financeira das empresas está se deteriorando mês a mês desde o início deste ano. Em janeiro foram registrados 19 pedidos de falência na cidade de São Paulo. Em fevereiro, este número subiu para 20; em março, para 24 e, em abril, para 36 pedidos. Em maio já houve um recuo, para 28 pedidos, voltando a subir em junho (47) e julho (53).

“Se a recessão persistir, pode ser que, no ano que vem, a cidade bata recorde de pedido de falência”, diz Alfieri.

Para evitar chegar a esta situação, o economista diz que o empresário precisa, neste período de vendas fracas, prestar a máxima atenção no fluxo de caixa.

Uma dica simples, diz ele, é fazer uma média de faturamento dos últimos meses e também uma média de saída de dinheiro do caixa. “Se a entrada vai ser menor do que saída, o melhor a fazer é liquidar tudo o que tiver em estoque e fechar as portas”.