Economia

Para Credit Suisse, Brasil será rebaixado no 1º semestre de 2016


Nilson Teixeira, economista-chefe do banco (foto), avalia que o quadro econômico é "desafiador". Projeção para a taxa de desemprego é de 11,2% e PIB pode cair 3,5% em 2016


  Por Estadão Conteúdo 15 de Dezembro de 2015 às 19:56

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse, afirmou que o cenário mais provável é que a Moody's e a Fitch rebaixem a nota soberana do Brasil no primeiro semestre de 2016.

"Essa é a conclusão que temos a partir das manifestações recentes das duas agências de rating, Moodys e Fitch, sobre o país", disse.

Teixeira avalia que o quadro econômico é "desafiador" para o Brasil em relação a vários indicadores, especialmente para crescimento e área fiscal.

Ele estima que o PIB cairá 3,7% em 2015 e 3,5% em 2016. Em função de dificuldades nas contas públicas ele projeta que o país apresentará déficit primário deste ano até 2017, cuja média será de 1,3% do PIB.

Devido ao quadro econômico muito difícil, Teixeira prevê que a taxa média de desemprego, apurada pela Pnad Contínua, deverá atingir 8,3% em 2015, subirá para 11,2% em 2016 e alcançará 12,6% em 2017.

Para o economista, o Brasil deve enfrentar uma profunda recessão no biênio 2015 e 2016. "No próximo ano, deverá continuar o cenário de queda do consumo das famílias, dos investimentos e do nível de atividade", destacou.

Ele estima que a inflação deve atingir 10,8% neste ano e não apresentar forte redução em 2016.

Teixeira prevê uma taxa de 8% para o ano que vem. Em função de uma conjuntura marcada por muitas incertezas, com recessão intensa e diversas dúvidas de ordem política, ele prevê ainda que o Banco Central não deverá elevar a Selic no curto prazo.

"Ao considerar um BC independente, é possível avaliar que, caso ocorra um processo de impedimento ou turbulência política, parece mais adequado não alterar (os juros) até haver clareza maior do resultado desse processo", disse.

"A autoridade monetária, num cenário como esse, evita um início de ciclo de aperto monetário."

O presidente do Credit Suisse no Brasil, José Olympio Pereira, disse que em seus 30 anos de carreira nunca se deparou com uma unanimidade do empresariado em relação ao pessimismo sobre o Brasil como o que existe neste momento.

"No entanto, eu tenho convicção de que o diagnóstico da forma que iremos voltar aos trilhos está claro, mas falta vontade política para implementar uma mudança de trajetória", disse. Olympio destacou que se esse diagnóstico for implementado, ele funcionará e ajudará o Brasil a ter uma rápida virada.

FOTO: Wilson Dias/ Agência Brasil






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