Economia

País está preparado para turbulências internacionais, diz Ilan


"O que está acontecendo no mundo é que o dólar está ficando forte. O dólar fica forte, todas as outras moedas ficam mais fracas", afirma Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central


  Por Estadão Conteúdo 09 de Maio de 2018 às 08:50

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse na noite desta terça-feira (8/05), que o principal ponto de atenção da instituição é a inflação, após ter sido perguntado sobre como as recentes turbulências internacionais podem afetar a decisão de política monetária esperada para a quarta-feira (16/05).

"Sobre as condições [para decisão de juros], é muito importante saber que o BC, num regime de metas de inflação, ele olha pra inflação, atividade, é isso que importa na decisão. E por oito vezes ao ano, a cada 45 dias, há uma decisão, e essa decisão será tomada na semana que vem, e vamos analisar todas as condições", disse o dirigente, em entrevista à GloboNews.

Em seguida, ao ser questionado sobre o efeito da disparada do dólar na inflação, o presidente do BC respondeu que é importante saber o que se tem de observar num regime de metas de inflação, como as expectativas para aos preços, a atividade e "olhar para frente".

"Eu mesmo já fiz trabalhos no passado em que analisamos como mudanças nesse tipo de variável afetam a inflação. Aí depende da atividade, depende se as expectativas de inflação estão ancoradas", disse.

Ilan afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar turbulências internacionais, como a crise na Argentina e tensões envolvendo os Estados Unidos. "Temos os nossos amortecedores", disse o dirigente. "Nos últimos tempos fizemos o dever de casa. Temos de fazer mais. Temos de continuar com agenda e isso é importante", acrescentou.

O dirigente reforçou que a valorização da moeda americana ante o real está relacionada a questões internacionais e disse que o BC tem de deixar o câmbio ser flutuante.

"O que está acontecendo no mundo é que o dólar está ficando forte, é a normalização das condições monetárias nos Estados Unidos. O dólar fica forte, todas as outras moedas ficam mais fracas. Não é uma questão de Brasil, Colômbia, México ou Argentina. É uma questão do dólar ficar forte. Então, nesse caso, o que temos de fazer é garantir o bom funcionamento dos mercados. Que a mudança de preço ocorra de uma forma normal. E para isso vamos sempre estar olhando, monitorando, intervindo quando for necessário, e não deixar nenhum exagero, nenhum excesso, tudo em funcionamento como deveria ser no regime de câmbio flutuante", disse.

FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil