Economia

O que Bolsonaro e Guedes dirão em Davos


Além de defender aprovação rápida da reforma da Previdência, governo brasileiro vai apresentar metas para os próximos anos à elite financeira mundial


  Por Estadão Conteúdo 18 de Janeiro de 2019 às 11:11

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Ao fazer sua estreia internacional, na semana que vem, no Fórum Econômico Mundial, o presidente Jair Bolsonaro defenderá a aprovação rápida da reforma da Previdência, o ajuste das contas públicas, a autonomia do Banco Central e a abertura da economia brasileira. 

O rascunho do discurso, que deve ter meia hora, já está pronto, mas a versão final do texto será discutida nesta sexta (18/1), e no fim de semana, com a ajuda do ministro da Economia, Paulo Guedes

O presidente deixará para seu "posto Ipiranga" detalhar as questões econômicas aos investidores internacionais e se limitará a ser mais genérico e político. 

À elite financeira mundial, Bolsonaro afirmará que o Brasil quer fazer negócios com todos os países, mas voltará a defender que os parceiros sejam tratados sem "viés ideológico".

Também vai dizer que não há tabus para acordos bilaterais, desde que tragam resultados concretos para o País. 

Caberá a Paulo Guedes fazer uma apresentação global da reforma da Previdência e defendê-la como essencial para a "oxigenação" da economia brasileira nos próximos anos.

Ele dirá que a proposta será voltada não somente para o enfrentamento do problema demográfico de envelhecimento dos brasileiros e equilíbrio das contas públicas, mas também para a modernização do sistema previdenciário e combate aos privilégios.

Guedes teria uma reunião com o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, mas ontem, por conta da paralisação do governo dos EUA, o presidente Donald Trump cancelou a participação da delegação do país. 

Depois de fazer um histórico das razões que levaram o Brasil a cair na "armadilha do baixo crescimento", Guedes vai centrar seu discurso no que vem chamando de "terraplenagem" -uma agenda corretiva para colocar a economia no rumo de uma expansão mais rápida e sólida.

Essa agenda, dirá o ministro, está sustentada em três pilares: reforma da Previdência, privatizações e concessões e enxugamento e maior eficiência da máquina pública.

Também serão apresentadas metas para os próximos anos, como a de aumentar a corrente de comércio de 22% do PIB para 30% do PIB até 2020 e dobrar, em quatro anos, o percentual que o País investe em ciência e tecnologia, hoje em 1% do PIB. A redução de impostos também está entre as metas. 

Parte da mensagem de Guedes é explicar como está a economia brasileira e reforçar que o governo quer fazer a lição de casa e "igualar o jogo".

"Davos será muito importante para a atualização da imagem do Brasil. Vamos deixar a visão de que não apenas estamos dispostos a fazer a lição de casa, mas também a construir uma economia moderna", afirmou uma fonte da equipe econômica que também participará do evento em Davos. "Os investidores vão ouvir a mensagem de que o governo quer tirar o Estado do cangote do brasileiro".

FOTO: Marcos Corrêa/PR