Economia

O poder das expectativas


Boletim de Conjuntura da ACSP reflete sobre o mundo das expectativas, onde o que parece ser é, muitas vezes, tão ou mais importante do que a situação real. Veja a reforma da Previdência


  Por Instituto Gastão Vidigal 05 de Abril de 2019 às 18:16

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Desde muito tempo em economia, se reconhece que as expectativas concebidas por consumidores e empresários podem exercer importante influência sobre os resultados efetivos da economia.

Assim, se as famílias e os empreendedores passam a acreditar que o emprego, a renda e o lucro serão maiores no futuro, a confiança se elevará, e, portanto, a intenção de consumir e produzir, gerando maior atividade econômica tanto no presente como no futuro.

O contrário ocorrerá se a percepção sobre o futuro passar a ser menos benigna. Desse modo, é muito possível que as expectativas se convertam em “profecias autorrealizáveis”, ou seja, se acharmos que o futuro será promissor ou não poderemos, ainda que sem intenção, contribuir para que esse resultado se materialize.

Por isso, é muito importante a consideração dessa variável se o objetivo é realizar algum prognóstico sobre a situação futura.

Como os indivíduos que tomam essas decisões formam suas expectativas constituiu, no passado, um tema de debate acalorado entre várias escolas econômicas.

Inicialmente se pensou que o comportamento desses indivíduos, principalmente no caso dos empresários, seria muito flutuante, refletindo estados de ânimo que poderiam mudar a qualquer momento.

Posteriormente, se pretendeu encontrar algum tipo de racionalidade no modo como as expectativas são concebidas, envolvendo tanto análises da situação econômica como outras informações de cunho político, institucional, etc.

Atualmente, a economia comportamental volta a questionar a racionalidade de todo esse processo, sinalizando a possibilidade de existência de vieses na tomada de decisões.

Seja como for, pode-se afirmar que as expectativas dos consumidores e dos produtores dependem tanto de fatores objetivos como subjetivos.

No caso brasileiro atual, a fraqueza da recuperação da atividade econômica, no contexto de elevado desemprego e baixo crescimento dos salários representam fatores pertencentes ao primeiro grupo, responsáveis pelas recentes quedas na confiança dos consumidores e dos empresários, após um início de ano auspicioso.

Porém, essa menor confiança, que tem levado a grupos importantes de empresários a propor que a retomada da economia se postergará para 2020, também foi afetada negativamente pela situação política reinante, que apresenta elementos subjetivos, igualmente importantes.

No mundo das expectativas, sejam elas concebidas por entes racionais ou não, o que parece ser é, muitas vezes, tão ou mais importante do que a situação real.

Desse modo, para que se mantenham as expectativas em alta, além de realizar uma reforma da Previdência que efetivamente permita evitar a insolvência fiscal, o governo deve cultivar a relação mais harmoniosa possível com o Congresso, além sinalizar total foco nos temas mais relevantes para o País, deixando para trás, ao mesmo tempo, a impressão, que muitas vezes tem surgido, de desarticulação entre os ministérios e o próprio presidente da República.

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IMAGEM: Pixabay