Economia

O brasileiro não está disposto a ir às compras


O indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da CNC, caiu quase 2% em abril, segunda queda mensal consecutiva


  Por Agência Brasil 26 de Abril de 2019 às 16:16

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Pelo segundo mês consecutivo, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou queda. Este mês, o índice medido pela Confederação Nacional do Comércio caiu 1,9%. Em março, ele já havia recuado em 0,4%.

O estudo divulgado nesta sexta-feira, 26/4, apontou variação negativa em todos os subíndices do indicador. A última vez que isso aconteceu foi após a greve dos caminhoneiros, em julho do ano passado.

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O desemprego, a taxa de juros e a recuperação lenta da economia mostram, para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, que as famílias brasileiras estão, no momento, com maior cautela para consumir.

“O país passa por uma fase de mudanças e ajustes. A aprovação da reforma da Previdência, nos próximos meses, pode trazer um alento para a economia brasileira”, acredita Tadros.

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A Região Sudeste registrou a maior queda de intenção de consumo, 3,2%. Enquanto, o Nordeste teve o menor índice, 1,7%.

A pesquisa da CNC considera como zona de satisfação resultados acima dos 100 pontos. Em abril, o índice nacional foi de 96,2 pontos. Desde abril de 2015, quando marcou 102,9 pontos, o IFC não ultrapassa essa marca.

A intenção de consumo das famílias do Sul (102,7 pontos) e do Norte (100,3) estão na zona de satisfação. Enquanto Sudeste e Centro-Oeste estão no mesmo padrão de insatisfação (94,7 pontos), seguido pelo Nordeste (96,2 pontos).

ANÁLISE
 
Frustração com a falta de ritmo da atividade econômica e insatisfação com o repique de inflação deste início de ano são os principais fatores por trás da falta de ímpeto dos consumidores para gastar, na avaliação do economista Antônio Everton, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
 
"Todos os subíndices do ICF caíram em abril. Isso coloca o indicador numa posição tão negativa como a que ocorreu com a greve dos caminhoneiros no ano passado. Podemos constatar um certo desalento ou arrefecimento do otimismo com a economia", disse Everton.

Embora o quadro negativo do mercado de trabalho siga como pano de fundo da falta de disposição para consumir, para Everton, a piora recente do ICF está relacionada também à dinâmica de inflação e juros.
 
Se o repique inflacionário, puxado pelos combustíveis e pelos alimentos, provoca um mau humor generalizado, a dificuldade de a queda nos juros chegar ao consumidor final mina a intenção de comprar, especialmente bens duráveis, como eletrodomésticos.
 
Para embasar a relevância desses fatores mais conjunturais, Everton lembrou que, no ICF de abril, os subíndices Momento para Duráveis (-5,8%) e Perspectiva de Consumo (-3,3%) foram os que mais influenciaram a retração.
 
No caso dos juros, que afetam diretamente o consumo de duráveis, o economista da CNC lembrou que, embora a taxa básica não tenha subido, quando os juros finais param de cair, a percepção para o consumidor é de piora.

 

*Com Estadão Conteúdo

 

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