Economia

Número de desempregados cresceu 27,6% entre maio e agosto


Segundo o IBGE, os desocupados totalizam 12,9 milhões de pessoas e a taxa de desocupação está em 13,6%


  Por Agência Brasil 23 de Setembro de 2020 às 14:05

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


A população desocupada no Brasil, que era de 10,1 milhões em maio, passou para 12,3 milhões em julho e, em agosto, atingiu 12,9 milhões de pessoas, um aumento de 27,6% em quatro meses.

A taxa de desocupação fechou agosto em 13,6%. Os dados constam da edição mensal da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid-19 (Pnad Covid-19), divulgada nesta quarta-feira, 23/09, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em agosto, a Pnad Covid-19 estimou a população ocupada do país em 84,4 milhões de pessoas, com aumento de 0,8% em relação a julho, mas ainda acumulando redução de 2,7% em relação a maio.

A Região Sul foi a única a apresentar queda da população desocupada (2,3%).

As maiores variações foram encontradas na região Nordeste, onde a desocupação avançou 14,3%, e a Norte, com 10,3%.

A taxa de desocupação entre as mulheres foi de 16,2%, maior que a dos homens, com 11,7%, sendo que a diferença também foi verificada em todas as grandes regiões.

Por cor ou raça, no Brasil e em todas as grandes regiões, a taxa era maior entre as pessoas de cor preta ou parda (15,4%) do que para brancos (11,5%).

Por grupos de idade, os mais jovens apresentaram taxas de desocupação maiores, de 23,3% para aqueles de 14 a 29 anos de idade.

Por nível de escolaridade, aqueles com ensino superior completo ou pós-graduação tiveram as menores taxas, 6,8%.

QUEDA NA RENDA

Quase seis meses após o agravamento da crise sanitária da covid-19 no Brasil, os trabalhadores que permaneciam empregados ainda enfrentavam dificuldades para recompor a renda do trabalho perdida na pandemia, segundo o IBGE.

O rendimento médio habitual de todos os trabalhos era de R$ 2.384 em agosto, mas os trabalhadores receberam efetivamente, em média, R$ 2.137. Ou seja, a renda efetiva representou 89,7% do que seria habitualmente recebido.

Apesar da defasagem, houve melhora em relação a julho quando a renda efetiva alcançou 87,4% da renda habitual.

Em maio, quando começou a pesquisa a renda efetiva correspondia a apenas 81,5% do rendimento habitual.

Segundo Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, os programas de manutenção do emprego e renda ajudaram a complementar o rendimento dos trabalhadores. Mas a melhora com o passar dos meses foi puxada pelo retorno ao trabalho dos funcionários afastados.

"As pessoas estão retornando ao mercado de trabalho, e elas foram recuperando a renda que elas recebiam antes. A gente vê isso no afastamento de trabalhadores ocupados que foi sendo reduzido ao longo dos meses, e a gente vê também nas horas trabalhadas. A diferença entre as horas trabalhadas e as horas habituais diminuiu. As pessoas estão voltando a trabalhar mais e estão conseguindo recuperar renda", afirmou Maria Lucia.

As regiões Sudeste e Sul tiveram as menores proporções de rendimento efetivo de trabalho em relação ao habitualmente recebido. No Sudeste, a renda efetiva de todos os trabalhos representava 89,0% do habitual. No Sul, essa proporção foi de 89,3%.

Os trabalhadores por conta própria e os empregadores foram o que tiveram as maiores diferenças entre os rendimentos habitualmente recebidos e os efetivamente recebidos: em agosto, os trabalhadores por conta própria receberam 76,9% da renda habitual, enquanto os empregadores obtiveram 81,4%.

A massa de rendimento médio real normalmente recebido subiu de R$ 191,0 bilhões em julho para R$ 192,7 bilhões em agosto.

O rendimento médio domiciliar per capita dos domicílios onde nenhum dos moradores recebia algum auxílio do governo concedido em função da pandemia foi, em média, de R$ 1.802 em agosto, mais que o dobro da renda dos lares em que alguém algum morador recebia o auxílio (R$ 816).

 

IMAGEM: Rovena Rosa/Agência Brasil





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