Economia

Novo corte nos juros. Taxa agora está em 6,5% ao ano


O Banco Central sinalizou que deve continuar a reduzir os juros em maio, mas que irá interromper o ciclo de quedas depois disso. Alencar Burti, presidente da ACSP, vê espaço para mais cortes


  Por Agência Brasil 21 de Março de 2018 às 18:43

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Pela 12ª vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu, nesta quarta-feira, 21/03, a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 6,75% ao ano para 6,5% ao ano.

A Selic está no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015.

Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,75% ao ano em fevereiro, o nível mais baixo até então.

Em comunicado, o Copom informou que a inflação evoluiu de forma melhor que o esperado nesse início de ano. De acordo com o BC, o comportamento da inflação permanece favorável, com diversos preços mais sensíveis aos juros e ao ciclo econômico em níveis baixos.

O órgão sinalizou que deve continuar a reduzir os juros na próxima reunião, em 15 e 16 de maio, mas que deve interromper o ciclo de quedas depois disso.

“Para a próxima reunião, o comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional. O comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”, destacou o texto.

“Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, diz o comunicado.

Apesar do corte, o Banco Central está afrouxando menos a política monetária. De abril a setembro, o Copom havia reduzido a Selic em 1 ponto percentual. O ritmo de corte caiu para 0,75 ponto em outubro, 0,5 ponto em dezembro e 0,25 ponto nas reuniões de fevereiro e de hoje.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 2,84% nos 12 meses terminados em fevereiro, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%. O IPCA de março só será divulgado no início de abril.

Até 2016, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

Para Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a decisão do Copom foi acertada.

"Justifica-se plenamente uma queda adicional da taxa de juros devido a dois fatores. O primeiro é a necessidade de acelerar a retomada da confiança e da atividade econômica, que, apesar de consistente, ainda é lenta. A indústria está ociosa, com espaço para expansão. O outro fator é que a inflação está abaixo do centro da meta e abaixo também do limite inferior de tolerância, permitindo, assim, a queda dos juros neste momento”, diz Burti.

INFLAÇÃO

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2018 em 4,2%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,63%.

Do fim de 2016 ao fim de 2017, a inflação começou a diminuir por causa da recessão econômica, da queda do dólar e da supersafra de alimentos. Depois de uma pequena subida no fim do ano passado, por causa dos reajustes dos combustíveis, os índices voltaram a cair no início deste ano. O recuo foi motivado por novas quedas nos preços dos alimentos e dos serviços, setor ainda afetado pela demora na recuperação da economia.

BANCOS

O Itaú Unibanco anunciou nova redução nas taxas de juros de suas linhas de crédito para pessoas físicas, micro e pequenas empresas, repassando integralmente aos seus clientes o corte da Selic. 

O banco detalha que para pessoas físicas haverá redução no cheque especial e a nova taxa mínima passa a ser 2,08% ao mês. Diz que para micro e pequenas empresas também serão alteradas as taxas no cheque especial e capital de giro, mas não especifica quanto.

O Bradesco informou que vai repassar o corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic nas principais linhas de crédito de pessoa física e pessoa jurídica.

O Banco do Brasil também anunciou nova redução das taxas de juros para pessoas físicas e jurídicas. Em nota, o banco destaca que esse é o décimo repasse consecutivo de juros no Banco do Brasil desde o ano passado, mais uma vez em linha com a decisão do Copom.

Segundo o banco, as novas taxas entram em vigor nas agências e demais canais de relacionamento do BB já a partir da próxima segunda-feira, 26/03.

Para pessoas físicas, a instituição destaca a linha de crédito parcelado no cartão de crédito, com redução de 0,20 ponto porcentual ao mês. Já para pessoas jurídicas, a redução de juros acontece nas linhas de capital de giro, desconto de títulos e de cheques, antecipação de crédito ao lojista e conta garantida.

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