Economia

‘Não vamos tirar R$ 1 tri de ninguém, vamos cortar privilégios’


Paulo Guedes, ministro da economia, voltou ao Congresso para defender a Reforma da Previdência


  Por Estadão Conteúdo 04 de Junho de 2019 às 17:50

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu nesta terça-feira, 4/05, que a reforma da Previdência destravará os investimentos privados - locais e internacionais - no Brasil.

"Não é coincidência que o Brasil cresça 0,5% ao ano nos últimos oito anos. O país é uma baleia ferida que foi arpoada várias vezes, está sangrando e parou de se mover. Não tem direita ou esquerda, precisamos retirar os arpões", afirmou durante audiência na Comissão de Finanças de Tributação (CFT) da Câmara.

Guedes repetiu que o desequilíbrio das contas públicas vai retirar recursos de várias áreas, como a Saúde e as universidades federais. "O governo está quebrando. Na reforma da Previdência não estamos tirando R$ 1 trilhão de ninguém, estamos cortando privilégios e desigualdades futuras", enfatizou.

O ministro esclareceu que a aprovação da reforma da Previdência não significa já o lançamento do novo regime de capitalização.

"Não existe o compromisso de já disparar a capitalização. Vamos mandar um novo projeto (de capitalização) ao Congresso e voltaremos aqui para explicar tudo de novo. Só aprovando essa reforma, botamos o Brasil para andar. Com nova reforma (da capitalização) vamos dar um choque de emprego para os jovens", prometeu.

CAPITALIZAÇÃO

Segundo o ministro, a proposta de capitalização valerá apenas jovens no seu primeiro emprego e que terá um custo de transição baixo.

Ele destacou que o custo seria de "uma a três vezes o PIB brasileiro", se todos os trabalhadores quisessem migrar de regime, mas que não é esse o caso.

"A proposta é criar regime só para jovens no seu primeiro emprego. São 200 mil, 300 mil jovens, o custo de transição é muito mais baixo. Por isso preciso do R$ 1 trilhão, R$ 100 bilhões por ano é absolutamente viável a transição", afirmou.

MAIS MEDIDAS

Guedes disse que a reforma da Previdência permitirá ao governo adotar outras medidas, como a liberação de PIS/Pasep e executar o Plano de Equilíbrio Financeiro (PEF) para os Estados.

"Enquanto não aprovamos uma reforma fiscal potente, até os pequenos estímulos que se tenta dar na economia são perversos. Como os fundamentos da economia estão frágeis, estímulos levaram a inflação e alta dos juros", afirmou.

Segundo Guedes com a correção dos fundamentos fiscais, o governo poderá fazer liberação de PIS/Pasep e executar o Plano de Equilíbrio Financeiro (PEF) para os Estados, conhecido como Plano Mansueto.

Ele lembrou que o Plano Mansueto será uma ajuda de três anos. "Após esse período, o dinheiro do pré-sal será a essência do pacto federativo. É muito melhor entrar mais competidores e tirar o petróleo, repartindo esses recursos", completou.

IVA

O ministro confirmou que o governo estuda a criação de um imposto único federal (Imposto sobre Valor Agregado - IVA). Segundo ele, o governo gostaria que cada Estado pudesse decidir se irá aderir ou não ao IVA. Esse é um dos principais pontos de discordância do governo em relação à proposta que já está no Congresso, de autoria do deputado Baleia Rossi, e que quer criar um imposto nacional.

"Vamos trazer proposta de redução e simplificação de impostos, olhando dimensão social", afirmou.

CRISE

Guedes disse ainda que se o governo e o Congresso não estivessem discutindo a reforma da Previdência o Brasil já estaria em uma crise enorme. Segundo ele, se os parlamentares não estivessem debruçados sobre a questão fiscal, o "dólar já teria estourado".

"A reforma da Previdência á apenas o início. Quando falamos em impacto de R$ 1 trilhão não estamos cortando, mas recalibrando despesas futuras", afirmou.

 

IMAGEM: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil