Economia

Na crise, consumidor economiza com energia e lazer


Pesquisa da Boa Vista SCPC mostra que 88% tiveram que mudar hábitos de consumo devido à recessão. Conta de luz teve o maior impacto no orçamento das famílias


  Por Rejane Tamoto 19 de Novembro de 2015 às 16:16

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


Nesta crise, a maioria das famílias está adquirindo o hábito de apagar a luz e de desligar eletrônicos que não estão em uso e reduzindo os gastos com lazer. E não é à toa. As despesas com energia e alimentação fora de casa têm sustentado a alta do índice de inflação e exercem um peso maior no orçamento familiar. 

Uma pesquisa nacional da Boa Vista SCPC, realizada de 20 a 30 de outubro, mapeou os hábitos de consumo de 960 consumidores brasileiros para o fim de ano e Natal. 

De acordo com a pesquisa, o gasto com energia elétrica foi o principal vilão do orçamento de 37% dos entrevistados. A segunda maior despesa, apontada por 24% dos consumidores, foi com alimentação fora de casa

"No feirão Acertando suas Contas notamos que o guichê mais cheio de consumidores para renegociar débitos era o da Eletropaulo. Não era comum uma inadimplência tão alta com esse tipo de conta", afirma Flavio Calife, economista da Boa Vista SCPC. 

Outros gastos que exerceram pressão para o bolso do consumidor foram os com combustível, moradia, aluguel e condomínio, cada um com uma fatia de 7%, segundo os pesquisados. 

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A recessão obrigou 88% dos consumidores a adotar hábitos de compra diferentes para economizar. A maioria dos entrevistados, ou 21% deles, disseram que se esforçaram para reduzir o consumo de energia elétrica, enquanto 16% afirmaram que cortaram despesas com lazer. 

Outra estratégia, relatada por 14% deles, foi comprar somente itens indispensáveis. O estudo mostra que a segunda principal mudança de hábito foi pesquisar mais os preços antes de comprar, relatada por 9% dos pesquisados. 

Os consumidores também estão mais pessimistas. Segundo a pesquisa, 88% deles avaliaram que a economia do país está pior do que no ano passado, um aumento considerável nessa percepção, que foi expressada por 64% dos entrevistados em 2014. 

Essa impressão está ancorada no fato de que 68% das famílias responderam que tiveram o poder de compra reduzido, considerando a renda familiar atual, na comparação com o ano passado. Segundo a pesquisa, todas as classes de renda têm essa percepção: 69% na A/B, 65% na classe C e 71% nas D/E.

A perda do poder de compra, segundo o economista, está associada à inflação alta e à redução da renda das famílias, por causa do aumento do desemprego. E esse é um cenário que não deve mudar muito em 2016.

"De um lado esperamos que a inflação diminua um pouco no ano que vem e que a energia elétrica não suba mais. Mas a renda ainda poderá ser afetada pelo aumento do desemprego", diz Calife.  

Com isso, o comércio deve promover mais liquidações antes e até durante o período de Natal para atrair clientes.

"A intenção do consumidor é gastar menos com presentes e ceia de Natal. Ele já não está se endividando tanto porque está com dificuldades para pagar as contas do dia a dia", conclui.

FOTO: Thinkstock






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