Economia

Movimento de queda da inflação demonstra ser consistente


Para o Ipea, taxa de inflação consolida trajetória de convergência à meta de 4,5% em 2017. Economista avalia que queda favorece o corte de juros em janeiro


  Por Estadão Conteúdo 21 de Dezembro de 2016 às 17:25

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A surpresa positiva no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de dezembro, o menor nível para o mês desde 1998, prenuncia novidades para o mercado.
 
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) avalia que a inflação consolidou a trajetória de convergência em direção à meta de 4,5% em 2017. A análise foi feita considerando a taxa acumulada no ano, medida pelo IPCA-15, que foi de 6,58%, bem abaixo da registrada em 2015 (10,71%).

Para o economista Luiz Fernando Castelli, da GO Associados, a alta de 0,19% do IPCA-15 aponta para uma aceleração do ritmo da queda dos juros. Ele também acredita que a inflação oficial do país vai fechar 2016 abaixo do teto de 6,5% da meta estipulado pelo Banco Central.

DESACELERAÇÃO

Na Carta de Conjuntura do Ipea, a pesquisadora Maria Andréa Parente Lameiras destaca em seu estudo sobre inflação que o maior alívio veio do grupo alimentação, o que já vem ocorrendo ao longo do último trimestre.
 
“Com o fim do impacto da forte alta nos preços dos alimentos, a partir de setembro, o IPCA iniciou uma trajetória de desaceleração mais intensa, processo que se intensificou em dezembro, como mostra o resultado do IPCA-15". 

A tendência é que esta melhora se mantenha nos próximos meses, diz a autora do documento, “tendo em vista que os preços agrícolas ao produtor medidos pelo IPA-10 em dezembro revelam uma intensificação deste processo de deflação (-1,5% em dezembro ante -1,0% em novembro)".

No estudo, a pesquisadora prevê que em 2017 haverá nova desaceleração da taxa de inflação. "Teremos ainda uma economia crescendo lentamente, com um mercado de trabalho pouco dinâmico. As pessoas continuarão com um poder aquisitivo reduzido, o que, novamente, puxará a inflação, sobretudo dos bens e serviços livres, para baixo.” 

RISCOS

Ela também avalia que há uma postura mais transparente da nova diretoria do Banco Central, "que contribui para um aumento da confiança do mercado no cumprimento da meta, gerando uma queda nas expectativas futuras e possibilitando um recuo mais rápido da taxa de juros".

Na avaliação do Ipea, os riscos para a consolidação desse quadro são baixos, porém existentes, e estão, basicamente, conectados ao mercado externo.

"Pode ocorrer alguma desvalorização cambial decorrente de medidas adotadas pelo novo governo norte-americano”, afirma a pesquisadora, “com impacto nos preços comercializáveis. Além disso, o recente acordo entre os produtores de petróleo pode gerar uma alta nos preços domésticos dos combustíveis, cuja regra de reajuste passou a refletir as cotações internacionais."

CORTE DE JUROS 

Na avaliação do economista da GO Associados, Luiz Fernando Castelli, a alta de 0,19% do IPCA-15 em dezembro foi surpreendente. 

"O resultado mostra que o Banco Central tem espaço para cortar a Selic (taxa básica de juros) em 0,50 ponto porcentual em janeiro e, apesar do conservadorismo do BC, pode haver um corte de 0,75 (p.p.) em fevereiro.”

Após a divulgação do IPCA-15 de dezembro, a GO Associados reviu de 0,47% para 0,40% a estimativa para o indicador consolidado do mês, o que puxaria o índice deste ano para 6,4%, abaixo do teto de 6,5% estipulado pelo Banco Central.

Para o economista, a surpresa positiva no IPCA-15 foi a deflação de 0,18% de alimentos, ante uma estimativa de inflação de 0,27% estimada pela consultoria para o grupo, resultado puxado principalmente pela baixa de 0,45% em alimentação em domicílio. 

"Esperávamos uma aceleração em alimentos por conta da sazonalidade, mas a deflação foi forte, principalmente em feijão e leite", disse.

 





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