Economia

Moody's sinaliza possível rebaixamento da nota do Brasil


Agência de classificação de risco diz que faz uma revisão guiada pela deterioração de indicadores fiscais e de atividade econômica, que não apresentam sinal de quando atingirão o fundo do poço


  Por Estadão Conteúdo 09 de Dezembro de 2015 às 19:28

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A agência de classificação de risco Moody's colocou o rating de emissor e de bônus Baa3 do Brasil em revisão para possível rebaixamento. Para a agência, os indicadores fiscais e de atividade econômica continuam se deteriorando fortemente, sem sinal de quando irão atingir o fundo do poço. 

Segundo a Moody's, a revisão é guiada pela rápida e material deterioração macroeconômica e das tendências fiscais e pela reduzida probabilidade de uma reversão da tendência nos próximos dois a três anos. Reverter a tendência no médio prazo, acrescenta, vai exigir ajuste fiscal estrutural e coesão política.

Em relatório, a Moody's avalia que existe uma falta de consenso político no Brasil sobre a necessidade de corrigir o rigor orçamentário mais agressivamente por meio de reformas que tratem do aumento dos gastos mandatórios.

"Esse impasse político tornará difícil conter as tendências de gastos do governo e, consequentemente, reverter a tendência de aumento da dívida", diz a agência.

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A Moody's destaca no relatório que "a situação política se tornou cada vez mais complicada".

"A iniciação do processo de impeachment contra a presidente no começo de dezembro coloca mais dúvidas sobre a perspectiva de cooperação entre o Congresso e a presidente para aprovar medidas de consolidação fiscal significativas em 2016."

Segundo a Moody's, no período de revisão do rating do Brasil será avaliada a habilidade e disposição das autoridades para colocar a política fiscal de volta aos trilhos, restaurar o crescimento econômico e conter e reverter o aumento nas proporções de dívida do governo.

"Ao longo do período de revisão, esperamos que o Congresso aprove o orçamento de 2016 e algumas medidas que gerem receita para conter o déficit fiscal", diz a Moody's.

"Tomando o orçamento para 2016 como ponto de partida, focaremos na análise do cenário macroeconômico e fiscal para avaliar a trajetória da dívida pública sob diferentes cenários, levando em consideração o encaminhamento do processo de impeachment", acrescenta o relatório.

Durante a revisão, a Moody's vai avaliar a probabilidade de mais deterioração na posição fiscal do governo diante do cenário base da agência para ratings de nível Baa3 e a perspectiva de um aumento mais rápido e mais significativo na trajetória de dívida do governo "no contexto de elevada incerteza política, declínio na confiança do investidor e recessão mais profunda que a esperada".

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SEGUNDO REBAIXAMENTO ESTÁ MAIS PRÓXIMO

A decisão da Moody's de colocar o rating de emissor e de bônus Baa3 do Brasil em revisão para possível rebaixamento foi um aviso de que a perda do grau de investimento está mais próxima.

A avaliação é do economista-chefe da Garde Asset Management, Daniel Weeks. "Antes eu achava que a Fitch seria a próxima a rebaixar, mas agora acho que será a Moody's", afirmou. O rating do Brasil está apenas um nível acima do grau especulativo nas duas agências citadas por Weeks.

Para Weeks, o foco da avaliação da agência na questão política mostra que o rebaixamento não deve demorar, uma vez que as discussões relacionadas ao ajuste fiscal ficaram em segundo plano.

"Entre meados de outubro e boa parte de novembro, algumas medidas do ajuste fiscal começaram a andar no Congresso. Mas com a prisão do Delcídio (senador Delcídio Amaral, do PT), o ajuste foi deixado de lado, reforçando o pessimismo de quem já estava pessimista", disse.

FOTO: Thinkstock





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