Economia

Mercado eleva previsão para inflação em 2020


Índice passou de 1,53% para 1,60%, de acordo com o Banco Central. Elevação dos preços continua inferior à meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, de 4%


  Por Estadão Conteúdo 15 de Junho de 2020 às 09:00

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Os economistas do mercado financeiro elevaram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - em 2020. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (15/6) pelo Banco Central mostra que a mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 1,53% para 1,60%.

Há um mês, estava em 1,59%. A projeção para o índice em 2021 foi de 3,10% para 3,00%. Quatro semanas atrás, estava em 3,20%. O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2022, que seguiu em 3,50%.

No caso de 2023, a expectativa permaneceu em 3,50%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,50% para ambos os casos. A projeção dos economistas para a inflação já está bem abaixo do centro da meta de 2020, de 4,00%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%).

No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%). A expectativa de inflação no curto prazo tem sido bastante afetada pela perspectiva de que, com a pandemia do novo coronavírus, a atividade econômica seja fortemente prejudicada, com impactos negativos sobre a demanda por produtos e baixa da inflação.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA recuou 0,38% em maio. No acumulado do ano, a taxa está negativa em 0,16%. No Focus agora divulgado, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2020 foi de 1,67% para 1,51%. Para 2021, a estimativa do Top 5 passou de 3,25% para 2,80%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 1,61% e 3,00%, nesta ordem. No caso de 2022, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 3,50%, igual ao visto um mês atrás. A projeção para 2023 no Top 5 seguiu em 3,50%, ante 3,38% de quatro semanas antes.

ÚLTIMOS CINCO DIAS

Em meio aos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia, a projeção mediana para o IPCA de 2020 atualizada com base nos últimos 5 dias úteis foi de 1,53% para 1,57%. Houve 92 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 1,58%. No caso de 2021, a projeção do IPCA dos últimos 5 dias úteis foi de 3,15% para 3,00%. Há um mês, estava em 3,20%. A atualização no Focus foi feita por 88 instituições.

SELIC

O mercado financeiro espera que a taxa básica de juros, a Selic, seja reduzida de 3% ao ano para 2,25% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco central (BC), marcada para esta terça e quarta-feira (17). Depois dessa redução, a expectativa é que não haja novas reduções da Selic neste ano.

Para o final de 2021, a previsão é que a Selic esteja em 3% ao ano. Na semana passada, a estimativa era 3,5% ao ano.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

PIB

A previsão do mercado financeiro para a queda da economia brasileira este ano chegou a 6,51%. Essa foi a 18ª revisão seguida para a estimativa de recuo do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

Na semana passada, a previsão de queda estava em 6,48%.

Para o próximo ano, a expectativa é de crescimento de 3,50%, a mesma previsão há três semanas. Em 2022 e 2023, o mercado financeiro continua a projetar expansão de 2,50% do PIB.