Economia

Meirelles: PIB do segundo trimestre pode vir negativo


Mas o ministro da Fazenda comemorou a alta no IBC-Br, que antecipa o PIB, que em junho avançou na comparação com maio, mostrando recuperação da economia


  Por Estadão Conteúdo 17 de Agosto de 2017 às 18:05

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, disse nesta quinta-feira, 17/08, que a alta de 0,5% da economia em junho ante maio, segundo o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) é um dado a ser comemorado porque se soma a uma outra gama de indicadores antecedentes e coincidentes da economia que mostram recuperação.

Ainda assim, o ministro adiantou que o Produto Interno Bruto (PIB) referente ao segundo trimestre, a ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 1º de setembro, deverá trazer uma taxa próxima de zero ou mesmo negativa.

Segundo o ministro, a previsão de crescimento menor do PIB oficial no segundo trimestre deve-se ao fato de a economia ter crescido muito ao longo dos primeiros três meses - a expansão foi de 1% - e também à diferença entre as metodologias de cálculo do BC e do IBGE.

"O que tenho para dizer é que os dados de serviços conjugados com os do varejo, criação de postos de trabalho na economia brasileira e conjugado finalmente com o IBC-Br mostram que o Brasil votou a crescer", disse.

O ministro ressalvou, no entanto, que, como em todo processo de inflexão de uma economia que estava caindo, existe uma série de indicativos não homogêneos. "Por exemplo, o índice do BC, o IBC-Br, já é positivo no trimestre, mas o PIB pode ser um pouco mais baixo por um problema de ajuste, mas no geral a economia já está crescendo", disse.

 AJUSTE ECONÔMICO

Meirelles disse considerar a política fiscal como uma importante variável de ajuste econômico. Ele nega que o relaxamento das metas fiscais, especialmente para 2019, traria resultados negativos à economia. "A política fiscal continua a mais rigorosa possível dentro da Constituição Brasileira", disse o ministro.

Para ele, o nível das despesas discricionárias é o menor desde 2010. Portanto o ajuste fiscal continua rigoroso. De acordo com o ministro, a questão de o déficit existir é o que torna ainda mais importante a aprovação das reformas  pelo Congresso.

REFIS

Meirelles falou ainda que que o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, deverá entregar a ele esta semana o texto sobre o Programa de Recuperação Fiscal (Refis) a ser enviado ao Congresso.

Sobre a Taxa de Longo Prazo (TLP), disse se tratar de uma medida importante. "Tanto que a coordenadora da S&P declarou que aprovação da TLP é uma das medidas importantes. Então estou confiante de que isso vai caminhar numa velocidade maior ou menor, mas no final teremos uma taxa de juros do BNDES compatível com as taxas de juros que prevalecem no País", afirmou.

Para o ministro, não é justo que um grupo de grandes empresas tenha taxas de juros mais baixas e o resto da população, médias e pequenas empresas tenham taxas de juros mais altas para compensar. De acordo com ele, o BNDES vai continuar ofertando empréstimos de longo prazo, mas a uma taxa base equivalente à taxa do Tesouro.

IMAGEM: Agência Brasil