Economia

Mais 500 mil consumidores entraram para a lista de inadimplentes


Quase 60 milhões de brasileiros estão com dívidas em atraso no país, de acordo com a SPC Brasil. E a quantidade de dívidas cresceu 1,12% em abril na comparação com março


  Por Estadão Conteúdo 11 de Maio de 2016 às 11:02

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Em abril, os Serviços de Proteção ao Crédito receberam 500 mil novos consumidores devedores e negativados.

O contingente de inadimplentes agora envolve 59,2 milhões de pessoas em todo o país, de acordo com levantamento da SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Significa que, de cada dez adultos no país, quatro estão com seus nomes nas listas de inadimplentes e que 39,9% da população com idade entre 18 e 95 anos está com suas prestações em atraso e o CPF sujo.

Dívidas com água e luz são as que mais crescem. Pendências bancárias, no entanto, respondem pela maior parte dos compromissos atrasados, de acordo com Marcela Kawauti, economista-chefe da SPC Brasil.

Além do aumento na quantidade de devedores, também houve alta na quantidade de dívidas registradas nos cadastros de inadimplentes em abril, segundo o SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Considerando as quatro regiões analisadas, a variação positiva foi de 6,09% na comparação com abril do ano passado e de 1,12% em relação a março, sem ajuste sazonal.

A abertura do indicador de dívidas em atraso por setor da economia revela que o brasileiro tem enfrentado dificuldades para pagar até contas básicas. O maior avanço no número de dívidas foi causado por atrasos de no pagamento de serviços como água e luz, com alta de 16,68% na base anual de comparação.

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O aumento nos registros de atrasos de pagamentos ocorreu nas quatro regiões analisadas pelo SPC Brasil e CNDL.

De acordo com o indicador das duas instituições, em abril em relação a igual período do ano passado, houve um aumento de 5,8% no volume de brasileiros inadimplentes no consolidado das regiões Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sul.

O indicador não considera os dados da região Sudeste, que estão suspensos devido à entrada em vigor da Lei Estadual 16.569/2015, conhecida como 'Lei do AR', que dificulta a negativação de inadimplentes em São Paulo.

De acordo com Honório Pinheiro, presidente da CNDL, o aumento na quantidade de consumidores negativados reflete as dificuldades do atual cenário macroeconômico, com piora dos índices de renda e aumento das demissões.

"Ao longo dos últimos meses, o movimento da inadimplência tem sido influenciado pela contínua piora do cenário econômico, que corrói a renda das famílias, e pela maior restrição ao crédito", diz ele.

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Por um lado, continua Pinheiro, "a restrição limita o potencial de endividamento das pessoas, mas, por outro, a queda da renda impõe ao consumidor dificuldades para pagar dívidas e honrar seus compromissos financeiros", afirma.

REGIÕES

Das quatro regiões contempladas pelo indicador, é no Nordeste onde o número de inadimplentes mais tem crescido, com alta de 7,64% em abril frente a igual mês do ano passado.

Em seguida aparecem as regiões Norte (4,38%), Centro-oeste (4,26%) e Sul (4,15%).

Com 5,4 milhões de nomes registrados nos cadastros de devedores, a região Norte apresenta, em termos proporcionais, o maior número de consumidores inadimplentes: 47,0% da população adulta da região está com o nome inscrito nos cadastros de devedores.

A região Centro-Oeste, que possui 4,9 milhões de pessoas com contas atrasadas, tem a segunda maior proporção de inadimplentes frente sua população total: 43,7%.

A região Nordeste com 15,7 milhões de negativados apresenta algo como 40% da população adulta e a Sul, com um total de 8,1 milhões de consumidores negativados, apresenta a menor proporção (36,8%) da população adulta.

DÍVIDAS

Além do aumento na quantidade de devedores, também houve alta na quantidade de dívidas registradas nos cadastros de inadimplentes em abril.

Considerando as quatro regiões analisadas, a variação positiva foi de 6,09% na comparação com abril do ano passado e de 1,12% em relação a março, sem ajuste sazonal.

A abertura do indicador de dívidas em atraso por setor da economia revela que o brasileiro tem enfrentado dificuldades para pagar até contas básicas. O maior avanço no número de dívidas foi causado por atrasos de no pagamento de serviços como água e luz, com alta de 16,68% na base anual de comparação.

"Além das dificuldades para custear despesas básicas, o resultado também reflete a disposição crescente dessas concessionárias em negativar os consumidores inadimplentes, como forma de acelerar o recebimento dos compromissos em atraso. Tem se tornado mais comum que essas empresas negativem o CPF do residente antes de realizar o corte no fornecimento", afirma a economista do SPC Brasil.

Em segundo lugar, destaca-se o crescimento de 5,34% das dívidas bancárias, que englobam atrasos no cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e seguros, seguido pelo comércio (4,64%) e pelo setor de comunicação, que leva em consideração o não pagamento das contas de telefonia, internet e TV por assinatura.

"Ainda que o crescimento das dívidas no setor de contas de água e luz seja o principal destaque do mês de abril, as dívidas com os bancos são as que concentram, proporcionalmente, o maior número de pendências, com participação de 41,59% no total de dívidas em atraso das quatro regiões. As dívidas com o comércio representam 24,20% do total", diz ela.

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Foto: Thinkstock

 






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