Economia

Maioria dos reajustes está acima da inflação, apura Dieese


Cerca de 69% das negociações salariais conquistaram aumentos reais no período de janeiro a junho. Segundo técnicos do Dieese, os reajustes se concentraram na faixa até 1% de ganho acima da inflação


  Por Estadão Conteúdo 27 de Agosto de 2015 às 21:31

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A maior parte das negociações salariais ocorridas no primeiro semestre deste ano conquistou reajustes salariais acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), segundo balanço feito pelo Sistema de Acompanhamento de Salários e Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A despeito da forte crise econômica que atinge o Brasil, aproximadamente 69% das negociações analisadas pelo SAS-Dieese conquistaram aumentos reais no período de janeiro a junho. Segundo técnicos do Dieese, os reajustes se concentraram na faixa até 1% de ganho acima da inflação.

"Um número significativo de negociações obteve reajustes iguais à inflação medida pelo INPC-IBGE, correspondendo a quase 17% do painel que considera 302 unidades de negociação privadas e de empresas estatais", informa o SAS-Dieese.

Os reajustes salariais que não repuseram a inflação alcançaram quase 15% das negociações. Nesse caso, as perdas se situaram, na maioria dos casos, nas faixas de até 2% abaixo da inflação, conforme o levantamento.

Os dados coletados pelo SAS-Dieese indicam que houve uma sensível diminuição na proporção dos reajustes com ganho real frente ao observado nas mesmas categorias nos últimos oito anos.

O aumento real médio também caiu e apresentou o menor valor desde 2008 (0,51%), quando o SAS-Dieese passou a acompanhar o resultado das negociações coletivas pertencentes a um painel fixo de categorias.

O percentual de reajustes salariais iguais à inflação do primeiro semestre deste ano supera o observado em 2009, que tinha sido, até então, o maior nessa faixa, com pouco mais de 16%, segundo o Sistema de Acompanhamento de Salários e o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (SAS-Dieese).

Em relação aos reajustes abaixo da inflação, o percentual de aproximadamente 15% é superior aos 11% verificados em 2008. "Quando somados, os acordos que não tiveram aumentos reais correspondem a cerca de 32% do painel com 302 unidades de negociação", afirmam os técnicos do Dieese.

"O valor médio do aumento real (0,51%) reflete o cenário desfavorável, registrando o menor nível do período", afirma José Silvestre, coordenador de Relações Sindicais do Dieese. De acordo com ele, o resultado se dá em função do aumento da inflação juntamente com a elevação do desemprego.

As negociações contemplam três grandes setores: indústria, comércio e serviços. Ficaram de fora do levantamento a agricultura e o setor público por causa das diferentes formas de pagamento dos salários nestes dois segmentos. No entanto, o setor mais prejudicado no primeiro semestre foi o da indústria.

Quando se compara os reajustes do primeiro semestre das 128 unidades de negociação do setor industrial com os conquistados pelas mesmas negociações em anos anteriores, verifica-se que 2015 foi o ano mais desfavorável. "A proporção dos reajustes com ganhos reais ficou no menor patamar dos últimos anos, em praticamente 61%", afirma Silvestre.

De acordo com ele, aqueles setores que não repuseram as perdas inflacionárias correspondem a quase três vezes a proporção registrada nos anos de 2008 e 2013, os piores registrados até então. A queda no aumento médio na indústria em 2015 refletiu a piora da economia. O valor foi o mais baixo do período pesquisado, muito próximo a zero (0,19%), acima do INPC.

Na indústria, os ganhos reais foram verificados em 61% e as perdas, em 20%. O comércio, de acordo com o balanço do SAS-Dieese, foi o setor que apresentou a maior proporção de reajustes com ganhos reais no primeiro semestre (76%) e a menor de reajustes abaixo do INPC-IBGE (7%). Nos serviços, os ganhos reais foram observados em 74% das negociações, e perdas, em 12%.

IMAGEM: Thinkstock






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