Economia

Lições de Harvard e Stanford para o Brasil


Para Andrei Shleifer, professor de Economia de Harvard, país deve diminuir a burocracia. O economista John Taylor (foto), de Stanford, defende a transparência na política monetária como direcionador do crescimento


  Por Rejane Tamoto 31 de Agosto de 2015 às 10:00

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


Eles não são tão pessimistas em relação ao Brasil, mas trouxeram recomendações importantes. Eles não são peritos no país, mas mestres em seus respectivos ramos da economia.

Para Andrei Shleifer, o professor de Economia da Universidade de Harvard, que ministrou uma palestra sobre as finanças no século 21 durante o 7º Congresso Internacional dos Mercados Financeiro e de Capitais da BM&FBovespa, o extremo pessimismo em relação ao Brasil não é justificável porque o país ainda tem bons fundamentos e instituições fortes.

Segundo afirma, o país atravessa uma recessão mas, em um contexto mais amplo, não está pior do que a Rússia, que passa por um período de queda econômica sem controle; é diferente da Índia, que cresce pouco mas ainda é pobre, e da China, onde o nível de volatilidade tem causado problemas ao mundo todo.

Na visão de Shleifer, o Brasil pode voltar a crescer em dois anos, mas não na mesma taxa que a chinesa, por exemplo. "O fato é que os Brics não deram muito certo e a parede deles está caindo", afirmou.

Ele explicou que os países com renda média não crescem totalmente sem limites, oscilando entre o crescimento e períodos de desaquecimento. Por outro lado, as instituições de outros países não são muito perfeitas.

"É importante que vocês lembrem que os fundamentos do Brasil continuam bons e o país tem instituições mais fortes do que as dos Brics. Essa conversa que ouço aqui sobre impeachment não poderia acontecer na China, na Rússia, na Índia e na Argentina", destacou.

Também disse que as imperfeições no sistema brasileiro estão concentradas nas leis complicadas e onerosas. "No passado, eu trabalhei com o sistema jurídico e de regulamentos e sei que o Brasil está muito mal nisso. Além da prioridade de mudar isso, é preciso melhorar infraestrutura e a educação - que ajuda a desenvolver melhores práticas de gestão de negócios e empresas, o que gera crescimento econômico".

A burocracia brasileira, a seu ver, faz com que os mecanismos de empréstimos sejam muito burocráticos e o de entrada em negócios, bastante regulados. "Não estou fazendo um argumento de que a regulação seja zero, mas reformas jurídicas e regulatórias precisam ser centralizadas. No Chile, por exemplo, houve melhoria no clima regulatório", afirma.

TRANSPARÊNCIA

O professor de Economia da Stanford University, John Taylor, que ministrou a última palestra de sábado (28/08) no evento da BM&FBovespa, destacou que, quanto mais as regras da política monetária forem transparentes, melhor será para o crescimento econômico.

Este, inclusive, foi o grande erro do governo nos últimos quatro anos: a condução dos juros e o controle da inflação ocorreu com sinais difusos pelas autoridades, o que trouxe incertezas ao mercado.

Taylor também foi secretário de Tesouro dos Estados Unidos e, na década de 1970, elaborou a Teoria das Expectativas Racionais, estudo sobre fixação de preços e salários.

SHLEIFER, DE HARVARD: BRASIL NÃO ESTÁ PIOR QUE A RÚSSIA

Em sua palestra, que versou sobre mercados livres, políticas nacionais e a economia global, o professor lembrou que participou de uma experiência bem sucedida de transparência no Brasil em 1999, quando ministrou uma palestra no Banco do Brasil.

"Estive aqui para implementar uma política desse tipo. Estabelecemos uma meta inflacionária e depois melhoramos o desempenho, o que contribuiu para a estabilidade global. Eu estava naquela época deixando claro o que o FMI estava fazendo em relação às políticas, com estratégia e continuidade, no governo de Fernando Henrique Cardoso e junto de Pedro Malan e Armínio Fraga. Foi feito de forma a reduzir a incerteza e por isso deu certo", afirmou.

O sucesso da condução de uma política transparente, segundo ele, sustentou o crescimento durante os mandatos do presidente Lula. A recessão, completa, veio junto com as incertezas em relação ao rumo da política monetária.

Ele também comentou o fato de dois terços da oferta de crédito brasileira estar concentrada em bancos públicos. Para Taylor, o governo tem uma função, no caso brasileiro, que é a de financiar a infraestrutura.

"Quanto mais o governo se distanciar da alocação de capital, melhor. Não conheço o caso específico do Brasil, mas sei que a experiência de alocação de capital pelo setor público não é boa. Disso, surge corrupção e a escolha de setores - que não necessariamente são os que mais precisam de dinheiro. O crescimento será maior e a pobreza cairá se o governo não agir desta maneira", disse.

FOTOS: Luiz Prado/Agência Luz/Divulgação






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