Economia

Juros devem permanecer elevados por mais tempo, informa o BC


Banco Central eleva a projeção de inflação de preços administrados para 15,2% neste ano


  Por Estadão Conteúdo 10 de Setembro de 2015 às 11:39

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O Banco Central indicou que o período de alta dos juros pode ser mais "intenso" e "longo" do que o previsto. Mais eloquente do que o normal, o Banco Central deu o recado com todas as letras no parágrafo 24 da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

"Para o Comitê, depois de um período necessário de ajustes, que pode ser mais intenso e mais longo que o antecipado, o ritmo de atividade tende a se intensificar, na medida em que a confiança de firmas e famílias se fortaleça", informa o documento. No entanto, mesmo diante desta afirmação, a diretoria do BC manteve inalterada a taxa de juros (Selic) em 14,25%.

O Banco Central voltou a revisar para cima sua projeção para os preços administrados de 2015. Para a autoridade monetária, o conjunto de itens apresentará elevação de 15,2% neste ano – e não mais de 14,8%, como constava na edição anterior. No documento de junho, estava em 12,7%; no de abril, em 11,8%; no de março, em 10,7%; e, no de janeiro, em 9,3%.

Com os sucessivos aumentos das expectativas para esse conjunto de itens, o parâmetro do Banco Central se alinhou à expectativa dos analistas do mercado financeiro. No Relatório de Mercado Focus da última terça-feira (08/09), a mediana das projeções para os preços administrados estava em 15,20% para este ano e em 5,88% para o próximo.

A ata desta quinta-feira (10/09) revela que, para estimar a elevação desses itens, o BC considerou uma alta de 49,2% da tarifa de energia elétrica este ano – na edição anterior, a previsão era de 50,9%. No caso de telefonia fixa, a autoridade monetária prevê, agora, uma redução de 3,5% ante baixa de 3% do documento passado.

A diretoria também levou em conta a hipótese de elevação de 8,9% do preço da gasolina (antes estava em 9,2%) e de alta de 15% do preço do botijão de gás, substituindo a taxa de 4,6%.

A instituição passou também a dar um pouco mais de peso para o que ela classifica como eventos não econômicos. Até a reunião de julho do Copom, a diretoria via esses eventos influenciando uma redução dos investimentos, agora, destaca que esses fatores têm intensificado o processo que mantém a taxa de atividade doméstica inferior ao potencial.

Em meio a esse cenário de economia retraída, o BC continua a ver o consumo privado com sinais de contração, em linha com recentes dados de crédito, emprego e renda. O banco coloca todas as suas fichas no ajuste macroeconômico em curso e vê, com a retomada da confiança das famílias, a volta da expansão econômica.

Essa percepção, no entanto, pode ter alguma defasagem por ter ocorrido antes de o Brasil perder o grau de investimento, anunciado na noite de na quarta-feira (09/10) pela Standard & Poors (S&P), situação que agrava ainda mais o quadro do país. Quando a reunião ocorreu (02/09) ainda não se sabia que a agência de classificação de risco tomaria essa decisão.

Para o BC, a retomada da atividade, no entanto, não será possível no curto prazo. O Copom entende que as mudanças em curso deixam a composição da demanda agregada mais favorável apenas no médio prazo. A instituição ainda reafirmou que, no que se refere ao componente externo da demanda agregada, o cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, deve favorecer o crescimento do País.

Pelo lado da oferta, o BC continua a ver, em prazos mais longos, perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária. Para o setor de serviços, a instituição continua a ver taxas menores do que as registradas em anos recentes.

INFLAÇÃO

O Banco Central informou que sua expectativa para a inflação de 2015 subiu no cenário de referência e segue acima do centro da meta de 4,5%. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, o BC informou que sua previsão para o IPCA deste ano estava em 9% no cenário de referência e, em 9,1%, no de mercado. Nesse mesmo documento, a autoridade monetária admitiu que a chance de estouro da meta era de 99%.

No Relatório de Mercado Focus, a mediana das estimativas dos economistas do setor privado era de que a inflação oficial do país encerrasse este ano em 9,29% ante a taxa de 9,25% prevista às vésperas da divulgação da ata anterior.

Para este ano, a autoridade monetária promete apenas evitar a contaminação da atual alta dos preços para o restante da economia, contendo, assim, os efeitos secundários da elevação da inflação. Principalmente no início do ano, foi verificado um aumento dos preços administrados e atualmente há também uma elevação do dólar – a alta em 2015 já passa dos 43%.

Foto: Thinkstock






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