Economia

Investimento seguirá em queda até o 1º trimestre de 2016


Avaliação é da consultoria do economista Nouriel Roubini, que ficou famoso por prever a crise financeira internacional iniciada em 2008. Petrobras anuncia corte de 20% nos investimentos em 2015 e 2016


  Por Estadão Conteúdo 05 de Outubro de 2015 às 19:40

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Com a recessão econômica derrubando a confiança do empresário brasileiro e a incerteza política afugentando o capital estrangeiro, os investimentos devem continuar em queda no Brasil pelo menos até o primeiro trimestre de 2016. 

A aposta é da consultoria norte-americana Roubini, do economista Nouriel Roubini, que ficou famoso por prever a crise financeira internacional iniciada em 2008.

Em relatório enviado a clientes, a consultoria destaca alguns aspectos que dão suporte a essa previsão: as condições financeiras estão mais apertadas, com o aumento das taxas de juros (a consultoria prevê cortes nos juros em 2016, com a Selic caindo de 14,25% para 12,75%); o alto nível de endividamento das empresas; a baixa utilização da capacidade da indústria; e as implicações dos cortes de investimentos da Petrobras e do setor de energia como um todo.

Enquanto isso, "o consumo das famílias deve continuar baixo por um período prolongado, em meio a uma deterioração do mercado de trabalho", diz o documento.

No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego medida pelo IBGE subiu a 8,6%, a maior da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em janeiro de 2012.

Também no segundo trimestre de 2015, os investimentos registraram queda de 8,1% ante os três meses anteriores, o maior recuo desde o primeiro trimestre de 1996.

Com isso, a taxa de investimento em relação ao PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país) ficou em 17,8% no período, abaixo do patamar observado em igual período do ano anterior, de 19,5%.

As projeções da Roubini para o PIB brasileiro são de retração de 2,70% neste ano e de 0,65% no ano que vem.

"A recessão vem se aprofundando e a incerteza política continuará indeterminando a confiança dos empresários e dos consumidores, o que significa que a demanda doméstica continuará reduzida pelo menos pelo resto deste ano", afirma.

PETROBRAS

Um exemplo do impacto da crise nos investimentos ocorre na Petrobras. Com o agravamento de sua situação financeira, em função da alta do dólar, a estatal anunciou nesta segunda-feira (05/10) um novo corte de investimentos de 20% para o biênio 2015 e 2016. 

A revisão foi feita após mudanças no patamar de cotação internacional de petróleo e do câmbio. A previsão é investir cerca de US$ 25 bilhões neste ano - um corte de 11% em relação ao Plano de Negócios e Gestão divulgado em junho, que previa investimentos de US$ 28 bilhões em 2015.

Para 2016, o corte chega a 30%, de US$ 27 bilhões para US$ 19 bilhões. 

A empresa também detalhou o plano de desinvestimentos, previstos em US$ 15,1 bilhões até o próximo ano. Para este ano, a companhia estima arrecadar apenas US$ 700 milhões com a venda de ativos - o que reforça a dificuldade da estatal em negociar diante do cenário adverso para toda a indústria petroleira, em especial com a crise de confiança no mercado brasileiro.

O volume de desinvestimentos deve ser alcançado com a confirmação da venda de 49% em ações da Gaspetro para a Mitsui, negociação que está em fase final de conclusão pela estatal, conforme comunicado divulgado há duas semanas.

O anúncio também reforça o adiamento da oferta pública de ações da BR Distribuidora, principal aposta da companhia para aliviar seu caixa. No comunicado, a estatal também anunciou um corte de gastos gerenciáveis - como custos administrativos e despesas operacionais, excetuando matérias-primas.

Para este ano, a expectativa é cortar cerca de 4%, somando US$ 29 bilhões, ante os US$ 30 bilhões previstos inicialmente. Para o próximo ano, entretanto, o corte chegará a 23%, totalizando US$ 21 bilhões, de US$ 27 bilhões.

IMAGEM: Thinkstock

Atualizado às 20h40