Economia

Inflação (finalmente) retoma a rota de desaceleração


A perspectiva é que preços continuem cedendo diante do atual quadro de ociosidade e de redução dos preços no atacado, segundo economistas da ACSP


  Por Redação DC 07 de Outubro de 2016 às 18:06

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A inflação oficial em termos anualizados (12 meses) parece haver retomado a tendência de queda. A perspectiva é que continue cedendo diante do atual quadro de ociosidade, e frente à continuidade da queda dos preços no atacado, principalmente os agrícolas.

Para os economistas da Associação Comercial de São Paulo, a tendência decrescente do câmbio também contribui para desacelerar a alta geral de preços.

"Além desses resultados favoráveis, o início do trâmite para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que estabelece um “teto” para o crescimento dos gastos públicos federais, e a flexibilização do orçamento público, alcançada com a aprovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que viabilizam o ajuste fiscal, poderão satisfazer as condições preestabelecidas pelo Banco Central para o início da redução dos juros."

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial da inflação, desacelerou fortemente entre agosto e setembro, passando de 0,44% para apenas 0,08%, respectivamente.

A inflação oficial também teve forte desaceleração na comparação com setembro de 2015, quando ficou em 0,54%.

No período de janeiro a setembro registrou elevação de 5,51%, frente a 7,64% observado durante o mesmo período do ano passado, e, finalmente, em 12 meses, cujo aumento alcançou a 8,48%, depois de chegar a 8,97% em agosto. 

Além da inflação ter sido menor, está menos “espalhada” na economia, pois a porcentagem de itens da cesta básica que sofreram aumento de preço recuou de 63,5% para 56,8%.

Houve também forte desaceleração do “núcleo” da inflação, que exclui a variação dos preços de alimentos e energia, cujo
comportamento é mais instável, servindo, portanto, para sinalizar a tendência implícita da inflação.

A maior influência no resultado mensal foi a queda dos preços (deflação) dos alimentos, que refletiu a continuidade da redução dos preços das matérias primas agrícolas, ocorrida nos últimos meses. 

 

Também houve desaceleração da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que durante o mês de setembro teve variação de 0,03%, provocando redução na variação acumulada em 12 meses, que alcançou a 9,74%, depois de haver chegado a 11,27% no mês anterior.

SURPRESA POSITIVA

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que o dado de inflação divulgado nesta sexta-feira (07/10), abaixo da média das previsões de mercado, foi uma "surpresa positiva", mas o número precisa ser olhado com cuidado para ver se é um movimento de um único mês ou se indica uma tendência

"Também tivemos surpresas negativas e temos que manter a serenidade e olhar a tendência da inflação", disse após fazer palestra em Washington.

"Nosso objetivo é a desinflação não apenas em um mês, mas ao longo do tempo, temos o objetivo de trazer a inflação para a meta em 2017, 2018."

Ilan disse que o trabalho do BC ainda é longo, mas afirmou que espera que já esteja dando resultados nas expectativas para a inflação.

Com compromissos oficiais na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o presidente do BC disse que ainda não viu detalhes do IPCA, mas que é preciso avaliar de perto o indicador. "Temos que ver abertura do IPCA para ver se indica algo temporário ou algo que pode indicar tendência."

"Quando teve nos últimos meses inflação surpreendente para cima, também olhamos com serenidade para saber se aquela inflação era resultado de coisas temporárias", afirmou Ilan.

O BC, explicou Ilan, avalia as expectativas da inflação e ainda outros fatores. "Um deles é saber se a inflação corrente vai recuar ou é algo mais inercial", disse ele.

"O que estamos observando é que a inflação de alimentos está voltando e isso é um bom sinal." Outro fator é se o BC tem conforto que a situação fiscal está bem encaminhada.

VOLTA DA NORMALIDADE

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avalia que a desaceleração da inflação em setembro sinaliza que a economia brasileira está voltando à normalidade, disse em conversa com jornalistas.

"A recessão ainda está em andamento, a capacidade ociosa das empresas é elevada, o desemprego é elevado e ainda crescendo. É normal que a inflação caia e as expectativas de inflação também", disse o ministro.

O que estava fora do normal era ver inflação alta em um cenário recessivo e com desemprego em alta, ressaltou ele.

O ministro afirmou que precisa ser avaliado com cuidado se a desaceleração do IPCA em setembro é um fenômeno isolado ou se sinaliza uma tendência, assim como disse o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Meirelles mencionou ainda que a autoridade monetária tem autonomia de decisão e análise e vai olhar o comportamento da inflação com cuidado.

"Vemos diversos sinais de que aos poucos a economia começa dar mostras de normalização em várias áreas, como a produção de bens, e a confiança que está se recuperando", afirmou.

"O país aos poucos vai encontrando seu ritmo, na medida em que políticas adequadas vão sendo anunciadas, seja na área fiscal ou de governança nas empresas estatais."

FOTO: Thinkstock

Com informações de Estadão Conteúdo