Economia

Inflação do aluguel sobe 8,35% em 12 meses até setembro


A alta do dólar já aparece no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que acelerou para 0,95% em setembro ante alta de 0,28% em agosto


  Por Estadão Conteúdo 29 de Setembro de 2015 às 13:56

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A inflação do aluguel medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 8,35% em 12 meses, a maior desde julho de 2011 (8,36%). Em setembro, o índice divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 0,95% e superou a elevação de 0,28% em agosto. No acumulado dos nove primeiros meses do ano a alta correspondeu a 6,34%.

O IGP-M é formado a partir de uma média de três índices calculados pela FGV, dos quais o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) tem participação de 30% no cálculo. Ele também é formado pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção, com peso de 10%) e pelo IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo, que tem participação de 60%). 

LEIA MAIS:Confira o fator de reajuste do aluguel em Taxas e Cotações

Em setembro, o que puxou a inflação do aluguel foi a alta do IPA, que aumentou 1,30% no mês, bem acima dos 0,20% verificados em agosto. Em 12 meses, o índice teve alta de 8,14% e de 5,89% no acumulado do ano.

A valorização do dólar foi determinante para o avanço dos três estágios da inflação do atacado no IGP-M, avaliou nesta terça-feira (29/09) o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). 

"No IPA, que tem o maior peso, houve aceleração nos três principais estágios de processamento. E não foram acelerações discretas. Tem claro efeito da desvalorização do real", disse.

A alta do IGP-M de setembro superou o teto das expectativas. Segundo Braz, a taxa em 12 meses pode romper 9% na leitura de outubro, já que no décimo mês de 2014 o IGP-M fora de 0,28%.

Já a taxa mensal pode girar em torno da marca de 0,95% apurada em setembro. Segundo ele, efeitos cambiais mais significativos nos IGPs vão depender da definição do cenário político e da resistência ou não da economia em aceitar tais repasses.

De agosto para setembro, as matérias-primas brutas saíram de uma taxa de 0,64% para 2,26%. Neste caso, Braz citou como exemplo a alta de 0,84% em minério de ferro, depois da queda de 3,36%, a elevação de 6,96% da laranja (ante 1,19%), a taxa positiva de 0,10% em bovinos (ante queda de 2,92%), o aumento de 2,20% do trigo, na comparação com recuo de 0,60%, e da soja, com elevação de 5,84% (ante 5,76%). "E devem continuar captando os efeitos do dólar alto", afirmou.

Dentre as pressões em bens intermediários (de 0,80% para 1,36%), o economista da FGV citou a inflação de 1,81% em ração, depois de uma elevação de 0,42%, e a alta de 6,92% em adubos e fertilizantes compostos, após 4,67%.

"O IPA está cercado de pressões (do câmbio) que começam no início da cadeia e vão até bens finais", reforçou.

Outro segmento que sentiu os reflexos do dólar mais alto, que teve valorização de 9% entre agosto e setembro, conforme a FGV, foram os bens finais (de queda de 0,76% para alta de 0,47%).

"Não tem só efeito do dólar, tem alimentos, especialmente in natura, que deram impulso para a aceleração e não tem câmbio. Tem ainda impacto da parte de produtos processados (de 0,16% para 1,39%), que é onde se percebe tais efeitos", avaliou.

A taxa de alimentos em geral passou queda de 2,10% para alta de 0,74%, enquanto a dos in natura saiu de retração de 8,51% para baixa de 1,28%.

A batata-inglesa e o feijão foram os alimentos in natura que mais pressionaram a inflação no atacado, ao registrarem 14,91% (ante 31,12%) e 3,52% (ante queda de 7,11%), respectivamente.

"São itens que pressionaram os bens finais e não tem impacto de dólar", considerou.

Na categoria de itens processados, o destaque foi a carne bovina (de 0,68% para 2,83%), o óleo de soja (de baixa de 2,50% para alta de 3,39%).

De acordo com o economista do Ibre/FGV, enquanto o dólar caro tende a elevar as exportações, também acaba por diminuir a oferta interna, o que encarece o produto. "E já em um momento em que o preço normalmente sobe por causa das festas de fim de ano. Isso tudo vai ajudar a pressionar mais o preço da carne", disse.

Além da carne bovina, o frango inteiro (de 0,78% para 4,11%) também encareceu em setembro. "São repasses (câmbio) que ainda não se concluíram totalmente. Devem continuar em outubro", estimou. "A dúvida que fica é se vai aumentar ainda mais (o impacto), dada a economia mais fraca", completou.

FOTO: Thinkstock

* Com informações de Agência Brasil

Atualizado às 15h50






Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade




Publicidade



Publicidade




Publicidade