Economia

Inflação do aluguel encerra o ano com alta de 10,54%


Em dezembro, IGP-M subiu 0,49% ante 1,52% em novembro, segundo a FGV


  Por Estadão Conteúdo 29 de Dezembro de 2015 às 09:29

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A inflação do aluguel medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) avançou 0,49% em dezembro, após subir 1,52% em novembro, divulgou na manhã desta terça-feira (29/12) a Fundação Getulio Vargas (FGV). 

O resultado mensal também ficou abaixo do registrado em dezembro de 2014 quando a taxa oscilou em 0,62%, mas no acumulado de 2015 o avanço do IGP-M foi de 10,54% contra 3,69% de 2014.

O IGP-M é utilizado como referência para os cálculos de reajuste da energia elétrica e dos contratos de aluguéis.

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A FGV informou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M. O IPA-M, que representa o atacado, subiu 0,39% neste mês, após avançar 1,93% em novembro. 

O IPC-M, que apura a evolução de preços no varejo, cresceu 0,92% em dezembro, em comparação com alta de 0,90% no mês anterior. 

Já o INCC-M, que mensura o impacto de preços na construção, apresentou alta de 0,12%, contra avanço de 0,40% na mesma base de comparação.

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Apesar de fechar no maior nível em cinco anos, o IGP-M deve acentuar a trajetória de desaceleração nos primeiros meses de 2016, na avaliação de Salomão Quadros, coordenador do indicador. De acordo com ele, no resultado do mês de dezembro já foi possível observar o início dessa tendência.

"O IGP-M vai desacelerar em 2016 por causa de certa estabilização no câmbio, que possibilita um repasse da deflação internacional das commodities para os preços ao produtor, que representam o maior peso do indicado. O efeito do estresse do câmbio em agosto e setembro já não é mais observado nos índices e parece que o dólar encontrou um ponto de equilíbrio entre R$ 3,80 e R$ 3,90", disse.

ALIMENTOS

O efeito do dólar não deve ficar limitado aos preços ao produtor. Os preços dos alimentos processados, que encerraram 2015 com alta de 10,80%, também devem começar a sentir os efeitos da estabilização da cotação do dólar.

Porém, os preços dos alimentos in natura podem sofrer com efeitos climáticos adversos. "O grupo alimentação ainda é fator de preocupação em 2016 e pode guardar surpresas", afirmou Quadros.

Ainda assim, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) - que fechou o ano em 10,24%, o maior nível desde 2002 (11,87%) - deve ter alívio em 2016, ao se aproximar do intervalo entre 7,5% e 8,5%, de acordo com a expectativa do pesquisador.

"Além do fim do repasse cambial nos alimentos processados, os administrados, que subiram 16,88% em 2015, devem ter elevação bem menor no ano que vem", afirmou. 

"Mas ainda há outras fontes de pressão, então em meados do próximo ano podemos ver o índice estacionar."

Os preços dos serviços, que vem se mantendo resilientes nos últimos anos, também devem dar sinais de desaceleração em 2016. 

"Com a alta da taxa de desemprego e o prolongamento da recessão, os efeitos devem finalmente começar a serem sentidos na inflação de serviços, que pode ir para o nível de 7%", disse.

ATACADISTA

Os preços dos produtos agropecuários atacadistas, medidos pelo IPA agropecuário, subiram 1,49% em dezembro, após alta de 2,60% em novembro, segundo a FGV. 

A instituição informou ainda que os preços dos produtos industriais no atacado (IPA industrial) registraram leve queda de 0,04%, ante avanço de 1,68% observado no mês passado.

Dentro do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), que permite visualizar a transmissão de preços ao longo da cadeia produtiva, os preços dos bens finais tiveram alta de 1,39% em dezembro, após aumento de 2,96% no mês anterior.

Os preços dos bens intermediários, por sua vez, caíram 0,02% neste mês, em comparação com a alta de 1,74% em novembro. Já os preços das matérias-primas brutas registraram redução de 0,31%, ante avanço de 0,96% na mesma base de comparação.

No componente que reflete as oscilações no varejo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou alta de 0,92%. O percentual foi superior ao verificado em novembro (0,90%), refletindo os avanços de preços dos alimentos (de 1,37% para 1,70%). Desde janeiro, o IPC teve alta de 10,24%.

Já em relação ao Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), a variação passou de 0,40% para 0,12%, puxada pelos materiais, equipamentos e serviços com taxa de 0,23%, o que é bem inferior ao número de novembro (0,86%).

O índice referente ao custo da mão de obra ficou praticamente estável em 0,02%. No acumulado do ano, o INCC atingiu 7,22%.

FOTO: Thinkstock

Atualizado às 16h50