Economia

Inflação deve ficar em patamar baixo ao longo do ano


A equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) considera que o aumento da inflação ao final de 2019 tratou-se de um repique pontual


  Por Instituto Gastão Vidigal 13 de Janeiro de 2020 às 19:13

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou forte elevação no mês de dezembro, refletindo o aumento dos preços dos alimentos, principalmente em decorrência da elevação dos preços da carne, dos transportes, devido à pressão exercida pelos reajustes da gasolina, do etanol e das passagens aéreas e das despesas pessoais, afetadas pelo maior custo da loteria.

Esses resultados provocaram aceleração na inflação anual (12 meses), que terminou 2019 em 4,31% (ver tabela), pouco acima da meta perseguida pelo Banco Central (4,25%).

Por sua vez, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também apresentou forte alta no mesmo mês, terminando o ano em 7,7% acima do registrado em 2018, em função do aumento da taxa de câmbio e do “choque dos preços de proteínas” iniciado com a carne, que contribuíram para pressionar os preços das matérias primas agrícolas (IPA AGRO) e industriais (IPA IND).

Em síntese, a inflação oficial (IPCA), mesmo sofrendo a aceleração dos últimos meses, encerrou 2019 pouco acima da meta anual, porém muito abaixo do limite máximo de tolerância (5,75%).

A fraqueza da recuperação da atividade interna, o menor nível de taxa de câmbio projetado e o fato de a pressão dos preços de alimentos já estar refluindo no atacado, com os novos recordes de safra, sugerem que o aumento da inflação em 2019 tratou-se de um “repique” pontual e concentrado em poucos itens, que não deveria afetar de forma importante o baixo patamar esperado para os próximos anos.

 

IMAGEM: Thinkstock