Economia

Inflação desacelera fortemente em janeiro


Pressão exercida pelo grupo alimentação e bebidas começa a refluir, de acordo com análise dos economistas do Instituto Gastão Vidigal, da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 07 de Fevereiro de 2020 às 04:22

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Em janeiro, a inflação oficial, medida pelo IPCA, apresentou claros sinais de desaceleração. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice desacelerou no primeiro mês do ano, apresentando alta de 0,21% - a menor para o mês desde o início do Plano Real.

Em 12 meses, também houve desaceleração do IPCA, que aumentou em 4,19%, revertendo, em parte, o repique
observado em dezembro, quando terminou 2019 levemente acima da meta anual. 

Essa desaceleração se deve principalmente ao recuo do preço da carne, decorrente do aumento da oferta do produto, após a forte elevação observada no último mês de 2019, de acordo com análise dos economistas do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Contribuiu também para o resultado a descompressão dos preços dos transportes, cujo impacto foi impulsionado pelo aumento de sua importância na cesta básica de consumo utilizada para o cálculo do IPCA, refletindo os novos hábitos de consumo das famílias brasileiras.

Também em janeiro, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou forte recuo, anotando elevação de apenas 0,1%, deixando o resultado anual (12 meses) estável em 7,7% - o que reflete comportamento dos preços das matéria primas agrícolas (IPA AGRO) e industriais (IPA IND) praticamente idêntico ao observado na leitura anterior.

Em síntese, a pressão exercida pelos preços do grupo alimentação e bebidas no final do ano passado começa a refluir, com nova safra recorde, enquanto o preço do petróleo nos mercados internacionais apresentou forte queda  devido ao coronavírus. As elevadas cotações do dólar não deverão exercer impacto significativo sobre a alta dos preços, enquanto a elevada ociosidade da economia se mantiver.

FOTO: Arquivo DC