Economia

Inflação baixa abre espaço para nova redução dos juros


A avaliação é da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que esperam queda de 0,25% na Selic


  Por Instituto Gastão Vidigal 09 de Março de 2018 às 17:30

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


De acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representa o índice de inflação oficial, apresentou alta de 0,32%, superando a alta de janeiro, de 0,29%. Mas trata-se da menor alta para fevereiro registrada desde 2000.

Desse modo, a variação acumulada em 12 meses, que corresponde aproximadamente ao resultado anual, desacelerou levemente para 2,84%, ante 2,86% anotado na leitura anterior, ficando ainda mais abaixo do limite inferior da meta de inflação anual (3,0%).

A inflação medida pelo IPCA, em 12 meses, continua abaixo do limite inferior da meta anual, favorecendo o prognóstico de redução de 0,25% na taxa de juros básica (Selic) na próxima reunião do Conselho de Política Monetária do Banco Central (Copom).

Em fevereiro, o grupo educação, que apresentou aumento de preços de 3,89%, em decorrência do reajuste anual das mensalidades escolares, exerceu o maior impacto no comportamento do índice.

Na contramão, os preços de alimentos voltaram a cair (deflação), devido ao aumento da oferta de produtos agrícolas, ainda que este tenha sido inferior ao observado durante o ano passado. Assim, a deflação acumulada em 12 meses perdeu intensidade (-1,37%) em relação a janeiro (-1,49%).

Durante o mesmo mês, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que corresponde a uma medida mais abrangente da inflação, mostrou nova desaceleração, com alta de 0,15%, ante 0,58% observada em janeiro.

Apesar disso, devido à inexpressiva elevação desse índice em janeiro de 2017, o resultado acumulado nos últimos 12 meses perdeu intensidade, embora ainda se mantenha no campo negativo (-0,19%).

Tal como o IPCA, o IGP-DI também foi afetado pelos menores efeitos deflacionários da safra de 2018, que, mesmo sendo a segunda maior da história, será inferior ao recorde alcançado em 2017, provocando menores diminuições dos preços das matérias primas agrícolas (IPA-AGRO).

Por sua vez, continua havendo descompressão dos preços das matérias primas industriais, devido principalmente à estabilidade cambial.

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