Economia

Inflação acelera em junho


Resultado se deve a fatores pontuais, mantendo sua tendência de terminar 2020 bem abaixo da meta anual (4%), num contexto de elevada ociosidade e de forte queda no consumo, segundo economistas da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 15 de Julho de 2020 às 09:05

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou alta de 0,26%, abaixo das expectativas de mercado, interrompendo os resultados negativos (deflações) registrados nos dois meses anteriores. O acumulado em 12 meses acelerou para 2,13% (ver tabela abaixo), porém mantendo-se abaixo do limite inferior da meta perseguida pelo Banco Central (2,5%).

Esses resultados se explicam pela maior demanda por alimentos e artigos de residência, tais como eletrodomésticos e produtos de informática, decorrente do isolamento social, aplicado para combater a pandemia. Também contribuiu o aumento dos preços dos combustíveis, impulsionado pela recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional. Na contramão, houve queda dos preços das passagens aéreas.

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Por sua vez, no mesmo mês, também houve aceleração de outro importante índice de inflação, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que alcançou 1,60%, fazendo a variação registrada em 12 meses avançar para 7,84%. Essas acelerações foram novamente causadas pela
maior inflação observada no atacado (IPA), principalmente no caso das matérias primas industriais (IPA IND), devido aos aumentos dos preços do petróleo, da gasolina e do diesel.

Em síntese, a aceleração do IPCA em junho se deve a fatores pontuais, mantendo sua tendência de terminar 2020 bem abaixo da meta anual (4,0%), num contexto de elevada ociosidade e de forte queda no consumo, resultante dos efeitos negativos da pandemia e do distanciamento social. A maior inflação proveniente do atacado, resultante das pressões exercidas pelas cotações do dólar e pelo preço do petróleo, não deverá ser capaz, no presente quadro, de alterar essa trajetória.