Economia

Indústria segue em marcha lenta


O setor ainda mostra fraqueza por causa da baixa demanda interna, do elevado grau de endividamento das empresas, da perda de confiança do empresário e da diminuição das exportações de manufaturados


  Por Instituto Gastão Vidigal 02 de Julho de 2019 às 18:41

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Segundo a Pesquisa Mensal da Indústria (PMI) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em maio, a produção industrial apresentou crescimento de 7,1% em relação a igual mês do ano passado (ver tabela abaixo).

As quatro categorias de uso crescerem, destacando-se as de bens de capital e de consumo, em especial, veículos e bebidas, enquanto a extração mineral foi o destaque negativo, ainda repercutindo os efeitos do acidente de Brumadinho (MG).

Esses resultados, contudo, não refletem uma mudança de tendência da atividade industrial, que, assim, como toda a economia, segue em “marcha lenta”.

Na verdade, estão influenciados pela existência de um dia útil adicional no presente ano, e, principalmente, pela baixíssima base de comparação de maio de 2018, mês em que se deflagrou a greve dos caminhoneiros, provocando intensa queda na produção industrial.

Em 12 meses, a atividade do setor se manteve estável, interrompendo a trajetória descendente das leituras anteriores, provavelmente também “contaminada” pela menor base de comparação.

Ao contrário, outras leituras, tais como, por um lado, as variações mensal e acumulada durante o período janeiro-maio, e por outro, a média móvel trimestral, continuam a mostrar recuos da indústria (-0,2%, -0,7% e -0,4%, respectivamente).

Em síntese, apesar dos resultados positivos no contraste interanual, a indústria ainda mostra fraqueza devido à baixa demanda interna, ao elevado grau de endividamento das empresas, à perda de confiança do empresário e à diminuição das exportações de manufaturados, em decorrência da crise argentina e da desaceleração da economia mundial.

Espera-se que a aprovação de uma reforma da Previdência que realmente seja capaz de equilibrar as contas públicas, permitindo, com isso, espaço para a flexibilização da política monetária, num contexto de inflação abaixo da meta anual, seja capaz de reverter a “perda de fôlego” da indústria ao longo dos próximos meses.

 

IMAGEM: Thinkstock