Economia

Indústria inicia 2020 reduzindo perdas


Segmentos de bens de capital e duráveis apresentaram expansão em janeiro. Porém, os efeitos do coronavírus devem influenciar o desempenho no sentido contrário, avalia a Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 10 de Março de 2020 às 17:16

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


A produção industrial começou o ano com crescimento de 0,9%, livre de efeitos sazonais, e com menor queda no comparativo com janeiro do ano passado (ver tabela abaixo), divulgou nesta terça-feira (10/03) o IBGE. No acumulado em 12 meses, também houve contração menos intensa do que na leitura anterior (-1,0%).

De acordo com os economistas do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), no comparativo anual, os segmentos de bens de capital e bens duráveis apresentaram expansão, apesar da queda na produção de automóveis, decorrente da redução de exportações para a Argentina.

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Por sua vez, na mesma base de comparação, houve recuo da produção de bens semiduráveis e intermediários, refletindo nesse último caso a contração da atividade extrativa mineral.

A melhora relativa do desempenho da indústria em janeiro se explica, em boa parte, pela menor base de comparação. Persiste elevada ociosidade, num contexto de fraca demanda interna e menores embarques ao exterior.

Em síntese, a melhora relativa do desempenho da indústria em janeiro não deve alterar a tendência de lenta recuperação projetada para o setor ao longo do ano.

Embora a maior disponibilidade de crédito, as menores taxas de juros e o câmbio mais elevado possam beneficiar sua evolução futura, os efeitos do surto de coronavírus deverão influenciar em sentido contrário, em magnitude ainda difícil de ser prevista, avaliam os economistas da ACSP.

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