Economia

Indústria encerra 2015 com ociosidade recorde


A produção teve forte queda em dezembro, diz CNI. A intenção de investimento se manteve em baixa. Apesar do pessimismo com a fraca atividade do setor, normalização dos estoques eleva confiança da indústria, segundo FGV


  Por Agência Brasil 22 de Janeiro de 2016 às 12:27

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O setor industrial encerrou 2015 com ociosidade recorde, de acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A utilização da capacidade instalada (UCI) atingiu 62% em dezembro e é a menor da série histórica mensal, iniciada em janeiro de 2011.

A intenção de investimento teve queda de 0,8% em janeiro ante dezembro e atingiu 41,6 pontos, de acordo com a Sondagem Industrial da CNI. O índice de intenção de investimento varia de 0 a 100 pontos e quanto maior o índice, maior a intenção de investir. 

Segundo o a CNI, diferentemente da maioria dos índices da Sondagem Industrial, essa taxa não tem um ponto de inflexão entre investir e não investir (linha divisória de 50 pontos). Ele apenas indica o quão difundida entre as empresas é a intenção de investir.

A produção também teve forte queda em dezembro, tendo o indicador registrado 35,5 pontos. Neste caso, valores abaixo dos 50 pontos indicam redução da produção industrial na comparação com o mês anterior. Essa contração na atividade industrial fez com que os estoques fossem ajustados. 

O índice de evolução dos estoques teve recuo intenso em dezembro e assinalou 46,6 pontos. Esse também foi o menor indicador desde o início da série, em janeiro de 2011. Isso contribuiu para que os estoques se mantivessem no nível planejado pelas empresas. O índice de estoques efetivo-planejado recuou de 51,4 pontos, em novembro, para 49,8 pontos, em dezembro, ficando praticamente na linha dos 50 pontos.

O índice de evolução do número de empregados também ficou abaixo dos 50 pontos e registrou 41,5 pontos em dezembro, o que sinaliza queda no emprego da indústria.

A fraca atividade do setor mantém os empresários pessimistas em relação à demanda, ao número de empregados e a compras de matérias-primas para os próximos seis meses. Embora em janeiro esses índices tenham crescido na comparação com dezembro, eles se mantém abaixo da linha dos 50 pontos, o que sinaliza perspectivas negativas. 

O indicador de demanda assinalou 44,8 pontos, o de compras de matérias-primas registrou 43,6 pontos e o de número de empregados foi 42,3 pontos.

Somente as expectativas para exportações são de crescimento para os próximos meses, já que o indicador ficou acima dos 50 pontos. O índice de quantidade exportada cresceu de 50,1 pontos, em dezembro, para 52,4 pontos, em janeiro.
Segundo a Sondagem Industrial, a elevada carga tributária, a baixa demanda e o alto custo da energia foram os principais problemas enfrentados pela indústria no último trimestre de 2015. Enquanto a carga tributária foi apontada por 49,3% dos empresários, a baixa demanda teve 43,9% das indicações e o alto custo de energia representou 28,9% das respostas.

Os empresários também estão insatisfeitos com o lucro operacional e a situação financeira no quarto trimestre de 2015. O índice de satisfação com a margem de lucro foi de 33,2 pontos e, com a situação financeira, 38,8 pontos.

Além disso, há dificuldade de acesso ao crédito, cujo índice registrou 30,5 pontos no quarto trimestre. Valores abaixo de 50 pontos indicam insatisfação e dificuldade de acesso ao crédito.

Esta edição da Sondagem Industrial foi feita entre 4 e 13 de janeiro com 2.225 empresas, das quais 910 são pequenas, 815 são médias e 500 de grande porte.

EMPREGO INDUSTRIAL

O emprego na indústria recuou 0,4% na passagem de outubro para novembro, na série livre de influências sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o 11º resultado negativo consecutivo em sequência. Com isso, o emprego industrial acumula recuos de 6,0% no ano de 2015 e de 5,9% em 12 meses até novembro.

Já na comparação com novembro de 2014, o emprego industrial apontou queda de 7,2% em novembro de 2015. Trata-se do 50º resultado negativo consecutivo.

Segundo o órgão, foram registradas reduções no contingente de trabalhadores em 17 dos 18 ramos pesquisados na comparação interanual, com destaque para meios de transporte (-14,1%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-15,8%), máquinas e equipamentos (-10,0%), borracha e plástico (-12,5%), produtos de metal (-11,7%) e vestuário (-9,0%).

O único resultado positivo foi assinalado por refino de petróleo e produção de álcool, com alta de 0,7%, de acordo com o IBGE.

CONFIANÇA DA INDÚSTRIA SOBE

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia da sondagem de janeiro ficou em 79,1 pontos, o que significa avanço de 3,7 pontos em relação ao resultado final de dezembro, que foi de 75,4 pontos, informou nesta sexta-feira, 22, a Fundação Getulio Vargas (FGV). No mês passado, o ICI já havia subido 1,2 ponto em relação a novembro.

Com o resultado, o ICI registra o maior nível desde março de 2015, embora permaneça em patamar muito baixo em termos históricos. Essa é a primeira vez desde maio passado que o índice superou "significativamente" o mínimo registrado na crise de 2008 e 2009, informou a instituição, em nota oficial.

"O avanço mais expressivo do ICI na prévia de janeiro decorre principalmente de avanços no processo de normalização de estoques do setor. Associado à percepção de estabilização do nível de demanda, este movimento tem levado à diminuição do pessimismo. 

O conjunto de informações sinaliza uma atenuação das taxas de queda da produção da indústria nos próximos meses", afirma Aloisio Campelo, Superintendente Adjunto para Ciclos Econômicos da Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.

Na comparação com dezembro do ano passado, sem ajuste, a prévia aponta queda de 8,3 pontos na confiança.
A prévia de janeiro demonstra que o Índice da Situação Atual (ISA) avançou 4,7 pontos, para 79,7 pontos. Enquanto isso, o Índice de Expectativas (IE) subiu 2,5 pontos, para 78,8 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria atingiu 74,2%, o menor nível da série histórica, segundo a FGV. O resultado, já livre de influências sazonais, é superior ao apurado no indicador final da sondagem de dezembro (75,0%).

A prévia dos resultados da Sondagem da Indústria abrange a consulta a 777 empresas entre os dias 04 e 18 deste mês. 

Com Estadão Conteúdo