Economia

Indústria cresce em agosto, mas continua a perder fôlego no ano


Mesmo com o melhor resultado mensal desde 2014, segundo dados do IBGE, desempenho do setor continua fraco, avaliam os economistas da ACSP


  Por Instituto Gastão Vidigal 01 de Outubro de 2019 às 19:45

  | Da equipe de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


Apesar de atingir um resultado acima do esperado em agosto, em termos anuais, a indústria brasileira continua apresentando  contração, segundo análise dos economistas do Instituto Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

De acordo com a Pesquisa Mensal da Indústria (PMI), divulgada nesta terça-feira (01/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em agosto, o setor cresceu 0,8% em relação a julho, livre de efeitos sazonais.

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Porém, mesmo configurando o melhor resultado mensal desde 2014, o desempenho anual continua fraco, com a produção do setor mostrando queda de 2,3% em relação a igual mês de 2018 (ver tabela), em parte devido à existência de um dia útil a menos. Além disso, no acumulado dos últimos 12 meses, a atividade seguiu a trajetória de contração (-1,7%).

No comparativo anual, todas as quatro categorias de uso apresentaram queda, com destaque negativo para as produções de bens de capital, sugerindo baixa recuperação do investimento produtivo. Já a de bens de consumo durável, negativamente afetada pela insuficiência tanto da demanda interna como da externa, que continua a sofrer impactos da crise argentina e da desaceleração da economia mundial.

A recente aprovação da reforma da Previdência, conjuntamente com outras reformas estruturais, que deverão elevar a confiança dos empresários, aliadas ao câmbio mais favorável e à continuidade do ciclo de redução da taxa básica de juros (SELIC), criam as bases para que o setor se recupere ao longo dos próximos meses.

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