Economia

Haddad e Alckmin anunciam reajuste de tarifas de transporte


Mesmo com a elevação das passagens de ônibus, metrô e trem em São Paulo, os preços administrados devem desacelerar em 2016, o que limita o impacto sobre a inflação, prevê a consultoria Tendências


  Por Redação DC 30 de Dezembro de 2015 às 15:15

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


As tarifas de ônibus, metrô e trens na cidade de São Paulo serão reajustadas no dia 9 de janeiro em 8,6%, índice abaixo da previsão para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de 10,72%. A decisão foi tomada em conjunto pelo governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad, em um esforço para minimizar o desgaste político que a medida costuma provocar.

O aumento nas tarifas de transporte urbano na capital paulista não surpreendeu o analista Márcio Milan, da Tendências Consultoria Integrada, que trabalhava com a projeção de aumento da inflação de cerca de 7%.

O reajuste de quase 8,6% nos preços dos bilhetes deve ter impacto de aproximadamente 0,07 ponto percentual no IPCA, segundo Milan. 

Mesmo pequeno, o analista ressalta que o impacto da elevação sobre a inflação não deve ser desprezado.

"A maior parte da influência do aumento deve aparecer em janeiro”, explica o Milan.

“Já o efeito do reajuste do metrô deve ser quase nulo, pois o peso é muito pequeno. O IPCA de janeiro deve ficar na faixa de 0,80%”, acrescenta.

Do total de 13 regiões que integram o IPCA, São Paulo tem o maior peso, de cerca de 24%. A despeito do reajuste, Milan estima que os preços administrados devem desacelerar significativamente para 8,35% em 2016. Em 2015, a estimativa é que fechem em 18,2%,  

Segundo o analista, no ano que vem, devem estar solucionados os conflitos que marcaram o mercado de energia elétrica em 2015, com reajustes elevados e a adoção do sistema de bandeira vermelha. “Já o IPCA deve fechar 2015 em 10,7% e arrefecer para 7% em 2016.

REAJUSTE DE ÔNIBUS TERÁ MAIOR PESO

Para a Modal Asset Management, o efeito do reajuste de 8,57% nas tarifas será disseminado entre a inflação de janeiro e a de fevereiro, tendo maior influência no IPCA do primeiro mês de 2016.

Como o aumento passa a valer no dia 9, o IPCA-15 de janeiro já deve sentir os primeiros efeitos da alta, segundo a Asset.

A maior influência deve advir do reajuste nas tarifas de ônibus urbano, por ter o maior peso na composição do índice, de 2,56%, contra cerca de 0,07% de metrô e de 0,06% de trem.

Com o reajuste, a equipe econômica da Asset não descarta a possibilidade de o IPCA de janeiro romper a marca de 1%. Por enquanto, a estimativa para o índice fechado do primeiro mês de 2016 está em 0,95%. 

Além da influência de alta do grupo Transportes na inflação do começo do ano, a Modal lembra ainda da pressão extra do conjunto de preços de alimentos no início de 2016, que tende a continuar, devido às incertezas em relação ao fenômeno El Niño sobre os preços.

AUMENTO ANUAL

O último aumento das tarifas de transporte público em São Paulo ocorreu em janeiro de 2015, após elas ficarem mais de um ano congeladas. O reajuste passou de R$ 3 para R$3,50. 

Em 2013, o anúncio da elevação de R$ 0,20 no preço das passagens motivou os protestos de junho, que levaram milhares de pessoas às ruas na capital paulista, com a suspensão do aumento. 
 
*Com Estadão Conteúdo

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