Economia

Grécia aceita resgate e terá de aumentar impostos e cortar gastos


Aprovado pelo Parlamento, acordo prevê que país economize 9 bilhões em troca de financiamento de 86 bilhões de euros. Nas ruas, 12 mil manifestantes protestaram. Houve choques com a polícia


  Por Estadão Conteúdo 15 de Julho de 2015 às 22:07

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O Parlamento grego aprovou as medidas de austeridade exigidas pelos credores internacionais para obter um novo programa de resgate para o país, de 86 bilhões de euros em empréstimos de resgate da zona do euro e do FMI (Fundo Monetário Internacional). 

Em troca, o governo grego terá de aumentar os impostos e cortar gastos de forma abrangente a fim de economizar 9 bilhões de euros nos próximos três anos. Manifestantes entraram em confronto com a polícia em reação à decisão do Parlamento. 

O FMI vai participar do terceiro programa de resgate à Grécia, mas só depois que Atenas pagar o que deve ao fundo. Os montantes em atraso ao FMI são de quase 2 bilhões de euros, além dos 3,5 bilhões que o país tem de pagar ao Banco Central Europeu (BCE) até segunda-feira (20/7).

A Comissão Europeia propôs hoje que a ajuda de emergência à Grécia, o chamado 'financiamento-ponte', seja feito através do fundo no qual participam todos os 28 Estados-membros da União Europeia, o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EFSM).

As medidas foram aprovadas com o apoio de 229 dos 300 parlamentares, dos quais a maioria fazem parte de três partidos de oposição. 

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Diversos membros do Partido Syriza, do governo, não seguiram as recomendações de Alexis Tsipras, primeiro-ministro, e votaram contra as medidas, incluindo Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças, e Panagiotis Lafazanis, ministro de Energia.

TSIPRAS: SOB PRESSÃO DE PARTIDO DIVIDIDO/THINKSTOCK

De acordo com o jornal britânico The Guardian, dos 64 votos contra o pacote, 32 foram do Partido Syriza, que ocupa 149 assentos no Parlamento. Além disso, seis parlamentares do partido se abstiveram e um estava ausente.

CONFRONTO NAS RUAS

Enquanto os congressistas discutiam as medidas do plano de ajuda internacional, fora do Parlamento da Grécia, em Atenas, policiais e manifestantes anti-austeridade se enfrentaram

O batalhão de choque da polícia usou spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar jovens que, do meio da multidão, atiravam coquetéis molotov e pedras contra as autoridades.

A polícia disse que cerca de 12 mil pessoas participaram da manifestação da Praça Sintagma, em Atenas. Os confrontos eclodiram assim que os legisladores começaram a debater as medidas de austeridade acordadas com líderes da zona do euro, que inclui aumento de impostos de consumo e reformas das pensões.

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No Parlamento, Euclid Tsakalotos, ministro de Finanças da Grécia, disse que teve de tomar uma decisão difícil na segunda-feira (13/07) e que ainda não tinha certeza se foi a decisão certa. "Espero que todos pensem no que é bom para a população grega", disse aos parlamentares.

Já Fofi Gennimata, presidente do Pasok, de oposição ao governo da Grécia, disse que o acordo oferecido pelos credores internacionais do país é ruim, mas mantém a Grécia de pé.

"O acordo precisa ser aprovado para que tenhamos um futuro sustentável para a Grécia. É tempo de pararmos de falar e começarmos a conseguir resultados", afirmou. 

Segundo Gennimata, um voto hoje a favor do acordo não é um voto de confiança no governo de Tsipras, mas sim de confiança no país.

PIORA A DÍVIDA GREGA

Mais cedo, um relatório da Comissão Europeia expressou sérias preocupações a respeito da sustentabilidade da carga da dívida da Grécia em meio a uma piora em sua economia.

Segundo a Comissão, a previsão é que a dívida alcance 165% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020, 150% em 2022 e 111% em 2030.

Em um "cenário adverso", no qual a economia piore mais do que o esperado, o peso da dívida poderá atingir 187%, 176% e 142%, respectivamente.

O governo de esquerda de Tsipras assumiu o cargo em janeiro. A Comissão aponta que, desde o final do ano passado, houve um enfraquecimento muito significativo de compromisso com as reformas e retrocesso nas reformas anteriores que rapidamente levou a uma "deterioração significativa da sustentabilidade da dívida".

A Comissão cortou suas estimativas de crescimento da economia da Grécia, com contração de 4% neste ano, em comparação com aumento de 0,5% na projeção no início do ano. 

*Com Agência Brasil

Foto: Estadão Conteúdo






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