Economia

Gasolina, dólar, Selic e os impactos do conflito EUA x Irã


Morte do principal estrategista militar iraniano sinaliza implicações com a escalada de tensão entre os países, trazendo prejuízos ao comércio exterior no Brasil e no mundo


  Por Karina Lignelli 03 de Janeiro de 2020 às 18:53

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Alta no preço do combustível, na cotação de dólar - que já encerrou esta sexta-feira (3/1) com a maior alta em duas semanas (R$ 4,05) - e até o fim das chances de haver um novo corte da taxa básica de juros Selic. Esses são apenas alguns impactos que podem afetar não só a economia mundial, mas também a brasileira, após o presidente americano, Donald Trump ter autorizado um ataque ao aeroporto de Bagdá, no Iraque, na noite da última quinta-feira (2/1). 

A ação, que matou o general Qasem Soleimani, comandante das Forças Quds, uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã, sinaliza implicações com a escalada de tensão entre os países. O próprio presidente Jair Bolsonaro já afirmou que esse ataque vai afetar o preço do combustível por aqui. Por outro lado, a Petrobras, por meio de sua assessoria, disse que não vai se posicionar sobre a alta.  

"Hoje (3/1), o preço do petróleo já subiu, mas essa é uma primeira reação", afirma Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "Agora é preciso aguardar um pouco, mas seguramente, para o Brasil, essa instabilidade não é boa pois prejudica o comércio exterior."

André Perfeito, economista-chefe da Necton, afirma que as chances de haver um novo corte da taxa básica de juros no Brasil estão praticamente encerradas, devido às pressões inflacionárias "difusas".  

"O Banco Central realmente pode evitar uma queda maior na taxa de juros pois, nesse ambiente, é preferível aguardar. E ainda não dá para saber o quanto isso se prolongará", completa Solimeo. 

Em nota, Perfeito também disse que é preciso observar se o Planalto irá interferir em uma eventual alta da gasolina. Mais cedo, Bolsonaro tentou entrar em contato com o presidente da Petrobras, Roberto Castello-Branco, mas não foi atendido. "Quero ter informações dele", afirmou. 

Solimeo, da ACSP, reforça que o aumento na cotação do petróleo no mercado internacional, que só nesta sexta-feira (3/1) chegou ao seu maior nível desde abril de 2019 (caso do petróleo dos Estados Unidos), já é uma repercussão inicial do conflito, sinalizando futuros impactos sobre a economia.

"Só não dá para saber até que ponto essa alta vai se manter, ou se o mercado vai reagir com aumento da produção, da venda ou da compra de outros países produtores, como a Árabia Saudita."

Outro ponto a ser monitorado, segundo o economista da Necton, é se o governo brasileiro irá se alinhar a Washington no conflito. "Além de não fazer parte das nossas tradições diplomáticas (que sempre foram neutras em assuntos dessa natureza), pode atrapalhar mais ainda nossa balança comercial." 

FOTO: Divulgação           * Com informações do Estadão Conteúdo