Economia

FMI: Brasil vive pior crise desde 1980


Diretor do Fundo Monetário faz análise pessimista sobre o país, mas não vê sinal de hiperinflação. Organismo ressalta a urgência de garantias do governo brasileiro de que haverá controle das contas públicas


  Por Estadão Conteúdo 22 de Janeiro de 2016 às 15:35

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Em artigo enviado à imprensa, o diretor do Departamento para o Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner, considerou que “o Brasil enfrenta em 2015/2016 uma contração da atividade somente vista na época da crise da dívida externa da América Latina, em 1981/1983.

Para o executivo, a resolução da incerteza no cenário político e econômico é essencial para que o Brasil eventualmente retorne ao crescimento positivo. 

"Uma combinação de fragilidades macroeconômicas decorrentes do lento ajuste interno, um escândalo de grande alcance envolvendo funcionários do governo e de empresas, e problemas políticos têm paralisado investimentos e dominado as perspectivas econômicas", afirma no artigo. 

No começo da semana, o FMI rebaixou a previsão de crescimento do Brasil para 2016 e 2017. Este ano, a previsão é de contração de 3,5%, a maior entre os principais países do mundo, e no ano que vem, o PIB deve ficar estagnado, com expansão zero.

Werner ressalta no artigo que a inflação está em dois dígitos e o desemprego tem aumentado de forma clara. "A turbulência política continua a atrasar a adoção de uma estratégia fiscal confiável para manter a dívida pública em uma trajetória sustentável", disse ele, 

SEM TENDÊNCIA À HIPERINFLAÇÃO

No entanto, em entrevista, Werner fez a ressalva: “o Brasil passa por choque inflacionário importante, mas a alta de preços não aponta para a hiperinflação”. 

Ele reforçou que o Brasil precisa prosseguir com o ajuste na economia para restaurar a confiança dos agentes e a credibilidade na melhora das contas do governo.

Werner evitou comentar a decisão do Banco Central esta semana de manter juros e disse que o mais importante é a coordenação da política fiscal e monetária e que o governo dê "sinais claros" de que as finanças públicas estão em trajetória de estabilização.

A recessão mais forte do que o inicialmente previsto no período 2015/2016 indica a urgência de restabelecer a certeza de que haverá controle das contas do governo, do crescimento da dívida pública e prosseguir com o ajuste fiscal, disse ele. "Hoje vemos que isso ainda não foi restabelecido", afirmou.

O diretor do FMI disse que é essencial um ajuste tanto pelo lado da receita como do gasto público, mas frisou que tem havido clara pressão sobre as despesas do governo e, por isso, o ajuste precisa pender mais para o lado do gasto.

Para ele, é fundamental que se resolva a turbulência política e o Congresso aprove as medidas fiscais, de modo a dar credibilidade ao ajuste na economia. "O Brasil passa por situação muito complexa", disse Werner, ressaltando que se não fosse a recessão no país, a América Latina teria crescimento positivo, mesmo que em nível baixo. 

No artigo, o diretor do FMI lembrou que o Brasil sofreu três rebaixamentos de rating soberano. “A piora da classificação de risco aumentou o custo de financiamento para o país e para as empresas brasileiras, diz. 

Um dos poucos pontos positivos, segundo o artigo, é que as exportações começam a mostrar sinais de força, graças principalmente à forte desvalorização do real.

FOTO: Thinkstock





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