Economia

Fitch rebaixa nota do Brasil para BB-


De acordo com a agência, a crescente dívida pública e a falta de legislação sobre as reformas contribuiriam para o rebaixamento


  Por Estadão Conteúdo 23 de Fevereiro de 2018 às 13:34

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Dias depois de o governo desistir de votar a reforma da previdência, a agência de classificação de risco Fitch informou nesta sexta-feira (23/2), que rebaixou a nota de crédito soberano do Brasil, de BB para BB-. A perspectiva foi alterada de negativa para estável.

O relatório da agência afirma que o rebaixamento reflete "os persistentes e grandes déficits fiscais, um alto e crescente fardo da dívida pública e a falta de legislação sobre reformas que melhorariam o desempenho estrutural das finanças públicas".

A Fitch ressaltou que a decisão do governo de tirar a previdência da pauta, com a intervenção federal no Rio de Janeiro, representou um "importante revés" e mina a confiança de médio prazo nas finanças públicas e no compromisso político do governo em perseguir o ajuste fiscal.

O relatório também cita que, com a dificuldade de votar a previdência agora, o projeto ficou mesmo para depois da eleição e ressalta que há incertezas sobre a capacidade do próximo governo de garantir a aprovação da reforma em tempo hábil.

Para a agência, o "ambiente político desafiador" prejudicou a capacidade do governo para garantir apoio do Congresso e promulgar medidas de receitas e gastos destinadas a consolidar as contas fiscais em 2018.

"Por exemplo, o governo não conseguiu obter apoio para impor imposto para certos fundos de investimento e aumentar as contribuições de pensões dos funcionários públicos, enquanto uma decisão judicial suspendeu o adiamento de ajustes salariais para trabalhadores do setor público federal", afirma a agência.

Embora uma recuperação econômica cíclica e receitas extras possam contribuir para atingir a meta de déficit primário de 2018, diz a Fitch, a incapacidade de aprovar medidas estruturais evidencia o contínuo mal-estar político e seu impacto negativo na política fiscal.

BOLSA

O novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch teve, por enquanto, impacto pequeno no mercado financeiro doméstico.

A Bolsa de São Paulo, que tinha um dia de pouca movimentação, com o Ibovespa, principal índice de ações negociadas, sem grandes oscilações, registrou uma queda de 0,51% após o comunicado da Fitch.

Às 13h23, o Ibovespa operava em queda de 0,42%, aos 86.318,88 pontos.

Os mercados de juros e de câmbio tiveram reação quase nula ao rebaixamento. O dólar bateu pontualmente uma máxima, enquanto no segmento de renda fixa as taxas futuras mantiveram-se nos níveis anteriores ao anúncio.

A Fitch rebaixou o rating do Brasil para BB-, com perspectiva estável. Segundo a agência, o rebaixamento reflete o persistente e amplo déficit fiscal do País, além do fracasso nas reformas que poderiam melhorar as finanças públicas.

Às 13h17, o dólar à vista recuava 0,16%, aos R$ 3,2437, com máxima de R$ 3,2511. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 projetava 8,50%, de 8,56% no ajuste anterior. "O mercado já contava com essa medida", explicou o operador da Renascença DTVM, Luis Felipe Laudisio.

De acordo com um operador de renda variável, apesar de o mercado já estar esperando por esse movimento depois que a reforma da Previdência tirada da pauta do governo, os investidores viram no downgrade um motivo para realizar os lucros acumulados de sete sessões consecutivas de alta.

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