Economia

Falta trabalho para 22,7 milhões de brasileiros


Número representa 13,6% dos 166,3 milhões de brasileiros em idade de trabalhar, de acordo com o IBGE


  Por Estadão Conteúdo 13 de Outubro de 2016 às 13:36

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O país tem atualmente 22,7 milhões de pessoas desempregadas, subocupadas ou inativas mas com potencial para trabalhar.

O resultado significa que, no segundo trimestre de 2016, estava faltando trabalho para todo esse contingente de brasileiros, de acordo com a Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o IBGE, somados os contingentes de pessoas desocupadas (11,6 milhões), subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas (4,8 milhões) e a força de trabalho potencial (6,2 milhões) há um total de 22,7 milhões de pessoas com capacidade de trabalhar mais, o que representava 13,6% dos 166,3 milhões de brasileiros em idade de trabalhar (com 14 anos ou mais de idade).

"As pessoas querem trabalhar", diz Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Como resultado, a taxa composta da subutilização da força de trabalho voltou ao patamar do primeiro trimestre de 2012, quando também estava em 20,9%. O resultado vinha mostrando tendência de queda até o terceiro trimestre de 2014.

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No segundo trimestre de 2016, a jornada média semanal de horas trabalhadas ficou em 39,1 horas, período menor do que a jornada 40,1 horas registrada no segundo trimestre de 2012, ano de início da pesquisa. O levantamento mostra que apenas 52,5% da população ocupada trabalhavam entre 40 e 44 horas semanais.

INFORMALIDADE

Pelo menos 80,7% dos trabalhadores por conta própria no país estavam na informalidade no segundo trimestre de 2016, o equivalente a mais de 18 milhões de pessoas, ainda de acordo com os dados da Pnad Contínua.

Os outros 19,3% informaram que tinham registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ, da Secretaria da Receita Federal. No entanto, é possível que haja mais pessoas trabalhando na informalidade em meio a esse contingente, de acordo com Azeredo.

"Mas pode ainda acontecer que parte desses trabalhadores por conta própria que têm CNPJ esteja trabalhando também como informais, na medida que a informalidade é expressa pela característica da atividade, não pela posse do CNPJ. Os que não possuem CNPJ são informais, mas quem tem CNPJ não trabalha necessariamente na formalidade", diz Azeredo.

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No segundo trimestre, 7,5 milhões de trabalhadores por conta própria ou empregadores informaram possuir registro no CNPJ. Do contingente de 22,9 milhões de trabalhadores por conta própria, apenas aproximadamente 4,4 milhões (19,3%) trabalhavam sob o CNPJ. Ou seja, ao menos 18,510 milhões estavam na informalidade.

Entre os 3,7 milhões de empregadores existentes no país, 84,2% tinham CNPJ, 3,123 milhões. O resultado significa que 584 mil estavam na informalidade. "Entre os empregadores, pelo menos 20% deles são informais", afirma Azeredo.

O IBGE disponibilizou, a partir desta quinta-feira (13/10), uma série de novos indicadores obtidos por meio da Pnad Contínua, que captam informações relacionadas à força de trabalho, com resultados, para Brasil, desde o início da série histórica, no primeiro trimestre de 2012. A partir do quarto trimestre de 2015, a pesquisa passou a investigar se os trabalhadores por conta própria e os empregadores tinham registro no CNPJ.

Os indicadores serão divulgados trimestralmente, com recortes para Brasil, grandes regiões e Unidades da Federação. A mudança segue recomendações internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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DOIS ANOS

 

O percentual de trabalhadores com mais de dois anos no emprego atual aumentou para 70,6% no segundo trimestre do ano, o maior patamar para o período desde o início da série histórica da Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No segundo trimestre de 2015, esse porcentual era de 68,9%.

"Esse aumento pode ser em função de que não está entrando gente no mercado. Então, se não está entrando, demitir gente que está há muito tempo no trabalho é mais custoso. Mais fácil demitir quem tem menos tempo. Então esse dado que parece ser uma coisa positiva é na verdade em função da crise", diz Azeredo.

Quanto ao tipo de contratação, 88,4% dos trabalhadores ocupados no segundo trimestre eram contratados por tempo indeterminado, enquanto 11,6% foram admitidos por meio de contrato temporário.

A pesquisa informa ainda que cerca de 2,5 milhões de pessoas, ou o equivalente a 2,8% de todos os ocupados, tinham dois ou mais trabalhos no segundo trimestre de 2016. Quatro anos antes, esse total chegava a 3,5% dos ocupados.

De acordo com Azeredo, o recuo também se deve à crise, já que ficou mais difícil inclusive se manter fazendo "bicos" na informalidade.

No caso dos trabalhadores domésticos, 73,2% dos 6,2 milhões de empregados domésticos atuavam em apenas um domicílio, contra 74,7% no mesmo período do ano anterior.

Já a proporção de empregados domésticos atuando em mais de uma residência cresceu de 25,3% para 26,8% no mesmo período. O resultado deve-se ao aumento no número de diaristas.

"Esse aumento é esperado. Porque as pessoas perderam seu emprego em outros nichos de atividade e migraram para esse emprego doméstico. É diarista."

Na categoria dos militares ou empregados do setor público, entre os 11,3 milhões de ocupados no segundo trimestre, 53,8% estavam na esfera municipal, 31,4% atuavam na esfera estadual, e 14,8% trabalhavam na esfera federal.

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Foto: Estadão Conteúdo






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