Economia

"Estamos em uma das piores recessões da história"


Em sabatina no Senado para assumir a presidência do Banco Central, o economista Ilan Goldfajn (foto) evitou comentar como tratará os juros em um cenário de inflação acima da meta


  Por Estadão Conteúdo 07 de Junho de 2016 às 17:29

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O Senado aprovou na noite desta terça-feira, 7/06, o nome do economista Ilan Goldfajn para a presidência Banco Central (BC). Ele já havia sido sabatinado por membros da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Aos parlamentares, o novo presidente da instituição disse que irá aprimorar a autonomia do BC, mas evitou comentar como tratará os juros em um cenário de inflação acima da meta.

Na CAE, Ilan mencionou que o sistema financeiro é sólido, consolidado e possui liquidez, mesmo diante da elevação da dívida privada de empresas. "Houve elevação da dívida privada nos últimos tempos, boa parte por desvalorização cambial. As empresas também enfrentam recessão, que reduziu receitas, e isso é um desafio. Mas acredito que as empresas vão lidar com isso da melhor forma possível", disse.

O indicado à presidência do Banco Central afirmou que o cenário atual é desafiador, com níveis de instabilidade econômica e política, ressaltando que situação econômica exige atenção. "Há problemas estruturais e conjunturais e o ambiente internacional também é desafiador", disse. 

"A era dos juros negativos está perto de seu fim, pelo menos nos Estados Unidos", afirmou, ressaltando que período de ventos favoráveis no ambiente internacional já passou. 

Para ele, a recuperação da economia passa por gestão competente, responsável e previsível. "A credibilidade das políticas e dos gestores é fundamental", afirmou. 

O economista disse ainda que o país não está em quadro de estagflação, com queda da atividade e inflação em alta. "Estamos em período de recessão, uma recessão profunda, uma das piores da história.”

Ele explicou que a inflação subiu no ano passado por dois choques relevantes - o de preços administrados e a depreciação no câmbio.

Questionado se irá trabalhar pela queda dos juros, mesmo com a inflação acima da meta, Ilan se limitou a dizer que decisões serão tomadas no momento certo, nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), onde fatores que impactam na inflação serão levados em conta e analisados.

Ele afirmou que a economia brasileira conta com um "robusto arcabouço" para combater a inflação, que é o regime de metas. Também destacou que o Banco Central precisa manter e aprimorar a sua autonomia.

AUTONOMIA

A manutenção e o aperfeiçoamento da autonomia do Banco Central também foram destacados pelo economista indicado ao posto. "Quero assumir o compromisso inarredável, caso seja aprovado, de manter rigor e excelência do Banco Central. Atualmente, o sistema financeiro se encontra sólido, líquido e bem capitalizado para essas funções, e considero imprescindível manter e aprimorar autonomia do BC. Não se trata de desejo pessoal, mas de um bem para sociedade", disse.

Segundo ele, o aprimoramento da autonomia da autoridade monetária é importante para pavimentar um caminho de retomada na confiança, queda no risco País e retomada do crescimento.

"Temer estabeleceu, como requisito para retirar status de ministério (do Banco Central), estabelecimento de autonomia técnica para seguir regime de metas", disse o economista.

VOTAÇÃO

O placar na CAE foi de 19 votos favoráveis para a indicação de Ilan ao BC e oito votos contrários. Agora, o parecer da comissão será encaminhado ao plenário do Senado, onde é necessária também a aprovação por maioria simples dos presentes.

Concluído o processo, o nome do economista segue para publicação no Diário Oficial da União (DOU). Ele substituiria, dessa forma, o atual presidente do BC, Alexandre Tombini.

Ilan, que foi diretor de Política Econômica do BC de setembro de 2000 a julho de 2003, foi aprovado após uma sabatina que durou mais de quatro horas. Ao final, o economista reforçou que o Banco Central deve perseguir o centro da meta de inflação, de 4,5% ao ano. 

Três copos de Coca-Cola Zero e mais alguns de água ajudaram o economista Ilan Goldfajn a passar pela sabatina da CAE. O executivo respondeu a praticamente todas as perguntas dos parlamentares de forma tranquila.

Com grande parte dos senadores indicando que aprovariam seu nome - uma recusa nunca existiu na CAE -, não foram poucos os elogios ao currículo profissional do candidato.

IMAGEM: Agência Brasil






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